Fim da escala 6×1 será debatido por PEC na Câmara, diz Motta

Presidente da Câmara afirma que proposta sobre redução da jornada de trabalho deve ficar pronta para votação em plenário até maio, após análise da CCJ e de comissão especial.

O debate sobre o fim da escala 6×1 deve avançar na Câmara dos Deputados por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A sinalização foi feita nesta terça-feira (7) pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao informar que o governo não deve mais enviar um projeto de lei com urgência sobre o tema.

Segundo Motta, o entendimento é concentrar a discussão nas PECs já em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A expectativa é que a admissibilidade das propostas seja analisada na próxima semana. Depois disso, a Câmara deve instalar uma comissão especial para discutir o mérito do texto.

Hoje, a Constituição prevê jornada de até oito horas diárias e 44 horas semanais. As propostas em análise, apresentadas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduzem a carga para 36 horas semanais e tratam do fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso.

A proposta de Erika Hilton estabelece que a nova jornada entre em vigor 360 dias após a publicação da emenda. Já o texto de Reginaldo Lopes também prevê jornada de 36 horas semanais, mas fixa prazo de 10 anos para a mudança começar a valer.

Após reunião de líderes, Hugo Motta afirmou que, se a PEC for aprovada na CCJ, a comissão especial será criada de forma imediata. A intenção, segundo ele, é concluir a votação nesse colegiado ainda em maio e levar o tema ao plenário da Câmara no mesmo período.

De acordo com o presidente da Casa, a discussão busca garantir a redução da jornada de trabalho sem prejuízo salarial. Ele destacou ainda que o espaço de debate deve permitir a manifestação de diferentes setores sobre uma proposta considerada relevante para os trabalhadores.

Além da pauta sobre a escala 6×1, Motta informou que a Câmara deve votar na próxima semana o projeto de lei que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. Segundo ele, a proposta pode ampliar garantias como previdência, seguro-saúde e seguro de vida para trabalhadores das plataformas.

Também está prevista na pauta a votação da PEC 383/2017, que vincula 1% da Receita Corrente Líquida da União ao financiamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A medida busca assegurar recursos contínuos para unidades como CRAS, CREAS e programas de proteção social.

Outro tema citado por Hugo Motta foi a eleição do representante da Câmara no Tribunal de Contas da União (TCU), prevista para a próxima semana. Ele declarou apoio ao deputado Odair Cunha (PT-MG), dentro do acordo político que sustentou sua eleição para a presidência da Casa.

O que muda nas PECs sobre o fim da escala 6×1

As duas propostas em análise têm como ponto central a redução da jornada semanal para 36 horas. A principal diferença está no prazo para a nova regra começar a valer.

Enquanto um texto prevê transição de 360 dias, o outro estabelece prazo de 10 anos. Ambos também admitem compensação de horários e redução de jornada por acordo ou convenção coletiva.

Próximos passos na Câmara

A tramitação deve começar pela análise de admissibilidade na CCJ. Se houver aval, o texto segue para uma comissão especial, responsável por discutir o conteúdo da proposta antes do envio ao plenário.

A meta informada por Hugo Motta é acelerar esse calendário para que a matéria esteja pronta para votação pelos deputados até o fim de maio.

Fonte: Agência Brasil.