UM HOMEM CHAMADO ALBINO TURBAY

Ele amanhecia de terno e gravata. A camisa era
branca. Alva como sua alma! A casa de calçados finos na Avenida
Souza Naves foi pioneira como ele. Ajeitava com carinho e
delicadeza o sapato nos pés de seus clientes, de forma, que
mesmo apertado, a gente achava confortável. E acabava
comprando do bom mercador.

Chegava cedo no seu escritório de contabilidade, eis
que tinha outra profissão. Era patriota, amava sua cidade, como
amava com ardor a plêiade de filhos que teve. E como amava a sua
mulher!

Certa vez com sabedoria me disse: “Quando você
completar cinquenta anos (e nesta época estava muito distante)
você saberá o que é clarividência.”

Entendi sua mensagem, tal como ele enxergava a
vida, com objetividade, no alvo, com competência. Ele queria dizer
que só o passar do tempo, só a idade chegando que poderíamos
julgar os fatos com clareza. E estava certo.

Este era o senhor ALBINO TURBAY, por isto era tão
abrangente. Foi político, foi comerciante, trabalhou de perto com a
Associação Comercial de Cianorte, foi também seu Presidente,
grande colaborador, participava da vida cotidiana e administrativa
da cidade de Cianorte, como ninguém o fez. Foi professor de
Educação Física e dava aulas de terno e gravata.

Dedicou-se de coração ao futebol amador para tê-lo
como time profissional e depois que Deus o levou deram o nome
dele ao Estádio de Futebol, com muita justiça. Conheci sua esposa
e todos os seus filhos, entre eles até os adotivos, pois, a sua
generosidade ia muito além dos limites do poder e não poder.
Até que veio um dia que encerrou suas atividades
terrenas e eu dizia: “ Seu Albino se foi e virou uma estrela!” E
toda a vez que levanto o olhar para um céu estrelado, luminoso e
brilhante vejo o sr. Albino piscando prá mim!
Izaura Varella – Pioneira