O IMEDIATISMO ACABOU COM O ENCANTO…

Saber esperar é uma grande virtude. E hoje não se tem tempo
para esperas, tudo tem que ser feito na hora que se chega, no momento que se
quer, e sempre a pressa está na melhor ordem dos afazeres.

Nossos antepassados puxavam a cadeira na calçada de casa,
ou no gramado do quintal ao entardecer… Uma conversa aqui e acolá, se
rememorava os atos e o labor do dia, as artes das crianças e se pensava no
bom futuro com o terreiro cheio de café secando. O sol nascia mais cedo e se
deitava mais cedo também, porque o dia só tinha espaços para plantar, colher
e conversar… Distantes estavam os problemas do boleto bancário. Aliás, não
existiam boletos; as contas venciam depois da colheita. Um vestido por ano,
uma calça somente na troca da outra furada e rasgada…

A ambição era tão inexistente, tão longínqua e a maior
vontade era se ter um jardim cheio de rosas. Estas sim, quando abriam suas
pétalas ao sol de todo dia, o jardim se encantava com a própria beleza.
Colhiam-se rosas e também margaridas… Hoje as margaridas brancas de
miolo amarelo sequer existem mais. Não dão lucro e morrem logo, não se
investe mais em flores românticas e saudosas, tão somente em jardins
planejados… Ora, a cadeira do jardim era uma pedra que rolou do morro
próximo e ali se instalou e ninguém mais mexeu por causa do peso. E a beleza
se fez. E de lá se apreciava o por do sol. Era o banco desconfortável, mas
estava lá tão somente para os admiradores das flores.

Então não se pensava no futuro? Muito pouco, porque o nosso
antepassado não era imediatista; não tinha telefone para interromper a
conversa de um amigo e voltar a conversa depois. Nem era interrompido em
seus devaneios com o toque insistente de um celular. As horas do dia eram
marcadas pelo nascer e descer do sol e no ponto mais alto do dia, o almoço
era uma festa de família. Pouco se conhecia sobre os atos dos governantes e
estes ainda praticavam o altruísmo, pois, dispensavam o controle e a glória.
Ah! Que vontade de destruir o imediatismo e a vaidade e retornar aos campos
verdes e plácidos de antigamente. Hoje, imediatismo e desencanto andam por
aí de mãos dadas…

Izaura Varella