Paraná avança na estruturação da Rota Turística Caminhos de Peabiru

Reuniões técnicas definem próximos passos da iniciativa que conecta história, turismo e desenvolvimento regional em 96 municípios paranaenses

O Governo do Paraná segue promovendo encontros técnicos para a construção do Plano de Trabalho da Rota Turística Caminhos de Peabiru, iniciativa que promete fortalecer o turismo cultural no Estado e conectar 96 municípios de Leste a Oeste. A ação, coordenada pela Secretaria do Turismo (SETU-PR) e executada com apoio da Secretaria do Planejamento por meio da Paraná Projetos, caminha para sua próxima etapa: o mapeamento e a mobilização local.

As reuniões envolvem especialistas da Fadec-UEM (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá), além de historiadores, arqueólogos e profissionais das áreas sociológica e geográfica. O objetivo é construir diretrizes técnicas com base na história milenar dos Caminhos de Peabiru, que somam 2,2 mil km apenas no Paraná, cortando o estado de Paranaguá até Foz do Iguaçu.

Segundo o secretário estadual do Turismo, Leonaldo Paranhos, a proposta vai além do turismo: “O Peabiru tem um grande potencial para impulsionar o turismo de maneira respeitosa, valorizando toda a história e as culturas que o envolvem, e fomentando a geração de emprego e renda”.

Na última terça-feira (10), o grupo se reuniu para definir os critérios que orientarão os municípios nas próximas etapas. Já foram realizadas reuniões de sensibilização, alinhamento institucional e definição de aspectos históricos e culturais da rota. A próxima fase será marcada por encontros regionais para orientação dos Grupos de Trabalho Municipais.

Para o secretário do Planejamento, Ulisses Maia, a rota representa um vetor estratégico de desenvolvimento sustentável. “Estamos resgatando um patrimônio cultural e também impulsionando a economia local, promovendo uma identidade regional forte e inclusiva.”

Reconhecimento oficial e mobilização histórica

O programa foi institucionalizado pelo Decreto nº 8.025/2025, assinado em novembro do ano passado, que define as competências de cada secretaria na implementação da rota. A iniciativa tem respaldo da Lei nº 21.046/2022, que reconhece o caminho como Patrimônio de Natureza Cultural Imaterial Paranaense.

Desde janeiro de 2025, mais de 100 representantes de 84 municípios participaram de atividades de qualificação e orientação sobre o programa. Em abril, o foco esteve na importância das trilhas no desenvolvimento regional.

História viva e identidade cultural

Durante os encontros desta semana, foram debatidos temas como a origem dos nomes ligados aos povos indígenas e os sítios arqueológicos encontrados ao longo da rota. Técnicos destacaram exemplos como o município de Laranjeiras do Sul, cujo nome remete aos laranjais cultivados pelos indígenas na região.

Para Anna Vargas, da SETU-PR, a integração entre turismo, história e educação patrimonial é um dos grandes diferenciais do programa. Já Sidinei Silvério da Silva, da UEM, reforça que o plano está sendo finalizado e as oficinas regionais com os municípios devem começar em breve.

Uma trilha ancestral de conexão continental

Os Caminhos de Peabiru formam uma rede histórica de trilhas de mais de 3 mil anos que ligavam o Oceano Atlântico ao Pacífico. Utilizadas por povos como Guarani, Kaingang, Xetá, incas e jesuítas, as trilhas cumpriam funções comerciais, religiosas e comunicacionais entre aldeias.

“É uma iniciativa fantástica, que une história, memória e gestão pública. O Governo está ajudando a população a se reconhecer herdeira dessa identidade”, afirmou Cláudia Parellada, arqueóloga do Museu Paranaense.

Acompanhe a evolução do projeto Caminhos de Peabiru no portal e participe da valorização do nosso patrimônio cultural.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná – Publicado em 11/06/2025.