Estudo do IEDI, com dados do IBGE e da RAIS, mostra que o Estado foi o que mais ampliou participação no emprego industrial nacional entre 1985 e 2024
O Paraná foi o estado que mais ganhou espaço na indústria brasileira nas últimas quatro décadas. Segundo estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), elaborado com dados do IBGE e da RAIS, o Estado ampliou em 4,62 pontos percentuais sua participação no emprego industrial nacional entre 1985 e 2024.
O avanço ocorreu em um período de retração relativa da indústria no Brasil. Mesmo nesse cenário, o Paraná fortaleceu sua presença na produção industrial, ampliou empregos formais no setor e consolidou cadeias produtivas ligadas à inovação, engenharia e desenvolvimento tecnológico.
Além do Paraná, os maiores crescimentos na participação do emprego industrial foram registrados em Santa Catarina, com alta de 3,6 pontos percentuais, Minas Gerais, com 3,2 pontos, e Goiás, com 2,5 pontos.
Paraná amplia peso na indústria nacional
O levantamento aponta que o Paraná também cresceu em 3,38 pontos percentuais sua participação no Valor Adicionado Bruto da indústria de transformação. O indicador mede a riqueza gerada pelas atividades industriais e funciona como referência equivalente ao PIB do setor.
Com esse desempenho, o Estado passou a responder por cerca de 7% da riqueza produzida pela indústria de transformação brasileira. No emprego industrial nacional, a participação paranaense chega a aproximadamente 8%.
Os números reforçam uma mudança estrutural na economia do Paraná. Tradicionalmente reconhecido pela força do agronegócio, o Estado consolidou uma indústria diversificada, com presença em segmentos como alimentos, papel, veículos, máquinas, equipamentos e produtos químicos.
Estado está entre os mais industrializados do país
De acordo com o IEDI, a indústria de transformação representa atualmente 20,6% do Produto Interno Bruto do Paraná. O percentual coloca o Estado entre os mais industrializados do Brasil e acima da média nacional, de 15,2%.
No ranking nacional, o Paraná aparece atrás apenas de Santa Catarina e do Amazonas. No caso amazonense, o resultado é influenciado pelas características específicas da Zona Franca de Manaus.
A força industrial também aparece no mercado de trabalho. A indústria responde por 21,1% dos empregos formais do Paraná, enquanto a média brasileira é de 14,8%.
Na prática, isso significa que cerca de um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada no Estado atua diretamente em atividades industriais.
Alta tecnologia impulsiona crescimento
O estudo mostra que o crescimento industrial paranaense não ficou restrito aos setores tradicionais. Um dos diferenciais do Paraná foi o avanço em atividades classificadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como de alta e média-alta intensidade tecnológica.
Essa categoria inclui indústria automotiva, máquinas e equipamentos, produtos químicos, equipamentos elétricos e outros segmentos que exigem maior investimento em conhecimento, inovação e engenharia.
Entre 1985 e 2024, o Paraná ampliou em 4,66 pontos percentuais sua participação no emprego nacional desses setores. O resultado está entre os maiores avanços do país no período.
Segundo a metodologia da OCDE adotada no estudo, esses segmentos têm maior capacidade de gerar inovação, difundir tecnologia e elevar a produtividade de outras áreas da economia.
Emprego, renda e tecnologia avançam no Paraná
Os dados da RAIS também indicam crescimento nas atividades tecnológicas. Em 2024, o Paraná chegou a 210 mil trabalhadores nesses setores, alta de 36% em relação a 2017.
O avanço industrial e tecnológico teve reflexos na renda. Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base na RAIS, aponta que o volume total de salários pagos aos trabalhadores do Paraná cresceu 40,9% acima da inflação entre 2018 e 2024.
No período, a massa salarial anual passou de R$ 122 bilhões para R$ 217 bilhões. O desempenho reforça o impacto da indústria na geração de renda e na expansão do mercado de trabalho formal.
Outro indicador destacado pelo IEDI mostra que o Paraná teve o maior avanço do Brasil na relação entre empregos industriais e população entre 1985 e 2024. O Estado ganhou 37 empregos industriais para cada mil habitantes.
Nos segmentos de alta e média-alta intensidade tecnológica, o avanço foi de 11,4 empregos para cada mil habitantes.
Desemprego atinge menor nível histórico
Os efeitos da transformação econômica também aparecem nos dados recentes do mercado de trabalho. Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, o Paraná encerrou 2025 com taxa de desemprego de 3,2%.
O índice é o menor de toda a série histórica do instituto nacional. O resultado reforça o peso da indústria, dos setores tecnológicos e da diversificação produtiva na geração de oportunidades no Estado.
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Fonte: Agência Estadual de Notícias/SECOM, com base em estudo do IEDI, dados do IBGE, RAIS, Ipardes e PNAD Contínua.