Paraná deve atingir recorde histórico na área plantada de cevada

Lavoura de cevada. Foto:Jaelson Lucas / AEN

Com 94,6 mil hectares previstos, Estado reforça liderança nacional na produção do cereal e reduz necessidade de importações

O Paraná se prepara para cultivar a maior área de cevada da sua história. Segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a safra 2025 pode alcançar 94,6 mil hectares plantados, superando em 18% os 80,5 mil hectares cultivados no ano anterior. A expectativa é de uma produção recorde de 413,8 mil toneladas, volume 40% maior que o de 2024.

O avanço é puxado especialmente pelo retorno do plantio em Guarapuava, que deve cultivar 36,9 mil hectares — aumento de 25% em relação ao ano anterior. Já os Campos Gerais continuam na liderança com 38 mil hectares previstos. A alta na produção está ligada a melhores preços pagos ao produtor e aos bons resultados obtidos no campo no último ciclo agrícola.

Demanda das maltarias impulsiona produção local

O crescimento na produção paranaense de cevada atende a uma demanda crescente das maltarias instaladas no Estado, que dependem do cereal para fabricação de malte. No primeiro trimestre de 2025, essas empresas adquiriram cerca de 200 mil toneladas de cevada, consolidando o Paraná como o maior produtor de malte do Brasil.

“A confirmação de uma safra maior e de qualidade é fundamental para diminuir as importações e fortalecer o mercado interno”, explica Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral.

Outros destaques do agro paranaense

O boletim do Deral também destaca dados de outras culturas e setores agropecuários:

  • Soja: a primeira safra sofreu perdas de 5,3% no Paraná, principalmente no Noroeste, devido à estiagem e ao calor excessivo. A região Sul foi a única com ganho de produtividade (4,7%).
  • Milho: a cultura apresenta desempenho positivo nas regiões Sul e Sudoeste, embora o clima adverso impacte outras áreas.
  • Carne bovina: as exportações brasileiras movimentaram US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre. No Paraná, os cortes dianteiro e traseiro seguem valorizados, com preços médios de R$ 18,54 e R$ 25,01, respectivamente.
  • Carne suína: o Estado manteve a liderança nacional em produção sob inspeção estadual, com 155,9 mil toneladas, o equivalente a 20% da produção brasileira nessa modalidade.
  • Frango: o Paraná exportou 559 mil toneladas nos primeiros três meses do ano, um aumento de 12,3% em volume e 12,7% em receita, chegando a US$ 1,041 bilhão.

Panorama positivo estimula produtores e atrai investimentos

Com números positivos em várias frentes, o agronegócio paranaense reforça sua importância na economia do Estado e do país. A tendência de expansão da cevada, aliada ao bom desempenho nas cadeias de proteína animal e cereais, consolida o Paraná como um polo estratégico da produção agropecuária brasileira.

Fonte: Boletim de Conjuntura Agropecuária – Deral/Seab – Semana de 11 a 16 de abril de 2025