Terapia MesenCell, desenvolvida pela PUCPR, mira casos graves da doença do enxerto contra o hospedeiro após transplante de medula óssea
Uma terapia avançada com células-tronco pode abrir uma nova frente no tratamento de complicações graves após o transplante de medula óssea. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolvem o MesenCell, alternativa que apresentou resultados promissores contra a doença do enxerto contra o hospedeiro, conhecida como DECH.
Segundo reportagem de Tâmara Freire, da Agência Brasil, publicada nesta segunda-feira (25), a DECH ocorre quando células imunológicas da medula doada reconhecem o organismo do paciente como estranho e passam a atacá-lo. A condição pode surgir nos primeiros 100 dias após o transplante, na forma aguda, ou aparecer anos depois, na versão crônica.
Entenda a doença após o transplante de medula
Nos casos agudos, a doença costuma atingir principalmente a pele e o sistema gastrointestinal. Os sintomas podem incluir vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e alterações no funcionamento do fígado.
Já a DECH crônica pode comprometer diferentes regiões do corpo. Em situações mais graves, pode causar rigidez nos movimentos, dificuldade para respirar e úlceras.
O tratamento tradicional é feito com corticosteroides, usados para reduzir a inflamação provocada pela reação das células de defesa. No entanto, parte dos pacientes não responde bem a esses medicamentos e precisa recorrer a terapias mais agressivas ou imunosupressores.
Como funciona a terapia com células-tronco
O MesenCell utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. Essas células são processadas em laboratório e congeladas até o momento do uso.
A responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR e coordenadora do projeto, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, explicou à Agência Brasil que a proposta é agir na origem da doença. Segundo ela, a terapia reduz a proliferação das células T e B, principais responsáveis pelo ataque ao organismo do paciente.
“Ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação”, afirmou Carmen.
Estudo teve melhora em sintomas graves
O grupo de pesquisa já realizou um estudo-piloto com 11 pacientes com DECH crônica. Nessa fase, foram usadas as mesmas células-tronco, mas diluídas com outra substância.
Entre os participantes, metade apresentou remissão completa. O tratamento também levou à melhora de 75% dos comprometimentos gastrointestinais e de 100% dos sintomas de pele, inclusive em casos considerados graves.
Carmen destacou que alguns pacientes desenvolvem endurecimento da pele, condição que reduz a mobilidade. Segundo a pesquisadora, o estudo conseguiu reverter esse processo em parte dos casos avaliados.
Nova fase começa em setembro no Paraná
A próxima etapa será um novo estudo clínico com 20 pacientes. Os testes devem começar em setembro, em três centros de referência no Paraná: Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Erasto Gaertner e Hospital Nossa Senhora das Graças.
A pesquisa tem financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em uma etapa futura, os pesquisadores esperam firmar parceria com uma empresa farmacêutica para viabilizar a produção do medicamento em larga escala.
Por enquanto, a terapia segue em fase de estudo. A expectativa é que, se os resultados forem confirmados, o MesenCell possa beneficiar pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais ou que não podem utilizá-los por causa da toxicidade.
Fonte: Agência Brasil.