HÁ UM OUTRO MUNDO FORA DE SUA JANELA

Quem constrói sua vida da janela para dentro,
fatalmente, morrerá na solidão. A solidão passa a ser uma condição
de vida e o isolamento construído a sós, pode levar o indivíduo a
conhecer-se melhor, porém, não passará de um ser solitário.
A terrível solidão lança o próprio homem a descobrir-
se quem é, para que serve, do que foi feito… É o momento em que
a solidão passa a ser útil porque permite que se conheça a si
mesmo, como dizia o filósofo Sócrates “Conhece-te a ti mesmo”.
Entretanto, viver dentro de si mesmo, individualizando-se, criando
suas próprias regras, e vivendo e dependendo de uma sociedade
solidária, parece que algo não se conecta.

É necessário então abrir as janelas de sua alma e
deixá-la aberta à paisagem que existe lá fora. Usando o método da
seleção a pessoa se protege, vê o que quer, ouve o que deseja e
faz o que lhe apraz, sem contudo, perder a solitude. Quando se
abre uma janela, nasce a individuação, que no conceito junguiano
não é um ato de narcisismo, mas na verdade, é a aceitação de si e
dos seus poderes. É a percepção clara de que não estamos
sozinhos nesta jornada chamada vida.

Com a janela aberta podemos enxergar outro mundo
que existe lá fora, além do seu próprio, sem a ameaça da
aniquilação. O mundo que está lá fora pode não ser o melhor que
desejamos, mas, certamente, ele não está contra nós. Vencer a
própria vaidade requer uma coragem enorme, porque o indivíduo se
submete a caminhar o mesmo caminho que outro já percorreu, mas
isto não subtrai a sua coragem… Ele sempre será o primeiro nesta
caminhada, a experiência é unicamente sua e de mais ninguém.
Individuar-se é chegar à profundidade de si mesmo e perceber seus
próprios erros e tomar a melhor medida de segurança para corrigi-
los. As pessoas quando passam a conhecer a verdade, que a sua
própria vida lhe impõe, se tornam melhores, mais solidárias, mais
bem humoradas e bem mais felizes.

Izaura Varella