CORREÇÃO DA MORDIDA ABERTA ANTERIOR

A mordida aberta anterior é vista pelos ortodontistas, como um dos maiores desafios da especialidade, tendo em vista sua origem multifatorial e por ser considerada de grande importância aos pacientes pelo fator estético. Salientamos ainda, que o mesmo tratamento para mordidas abertas dentárias/dentoalveolares e esqueléticas apresentam prognósticos completamente diferentes, exigindo a observação dessas características para o correto diagnóstico, plano de tratamento, mecanoterapia a ser utilizada e, principalmente, o prognóstico dessa maloclusão.

A mordida aberta anterior, quando diagnosticada e tratada precocemente, apresenta prognóstico favorável, em razão da possibilidade da utilização de alguns aparelhos, que agem sobre a arcada promovendo crescimento ou controle ósseo e dentário, além de contribuírem para a eliminação de hábitos viciosos.

A mordida aberta anterior é uma anomalia complexa cujas características próprias envolvem a função, estética, além das alterações dentárias e esqueléticas. Portanto, essa patologia pode ser classificada como dentária ou esquelética.

As dentárias por sofrerem distúrbios na erupção dos dentes e no crescimento alveolar, estando os componentes esqueléticos do paciente relativamente normal. No caso das esqueléticas, o paciente apresenta além dos distúrbios dento alveolar, uma desproporção entre os diversos ossos que compõe o complexo craniofacial.

Considera-se que os hábitos viciosos, seguidos pelas alterações funcionais, podem originar a mordida aberta dento alveolar. Nos casos de mordida aberta esquelética, os hábitos atuariam como fatores agravantes e os distúrbios mio funcionais orofaciais seriam adaptações à condição morfológica alterada.

A respiração oral destaca-se como hábito deletério por ser altamente comprometedora na definição de forma e contorno dos arcos dentários e de todo o processo naso maxilar. A obstrução nasal provoca alterações nas posturas de língua, lábios e mandíbula, ou seja, os tecidos moles em desequilíbrio ocasionam mudanças na morfologia craniofacial.

Outro fator importante para essa maloclusão é a deglutição atípica, caracterizados pelas pressões atípicas da língua, tal como a interposição lingual anterior promovem o desequilíbrio no desenvolvimento craniofacial e podem ocasionar mordida aberta anterior.

Crianças que utilizam hábitos de sucção prolongados podem apresentar alterações na postura e no tônus de lábio, língua e bochechas. Os lábios tendem a permanecer entreabertos e a língua assume uma posição mais anterior e inferior, podendo comprometer a respiração nasal.

Para o tratamento, primeiramente deve-se fazer um exame detalhado do paciente para elucidar as possíveis causas que provocaram o problema, isto é, o que de fato deve ser tratado: um problema emocional, um distúrbio respiratório, uma alteração funcional, uma discrepância esquelética, ou a combinação de todos esses fatores.

Fique atendo porque o diagnóstico precoce é o mais importante para o sucesso do tratamento, pois, a idade mais recomendada para o início do tratamento é entre os quatro e seis anos, pois nesta etapa o tratamento da mordida aberta anterior é muito simples, sendo que o envolvimento é basicamente dentoalveolar. Dessa forma, além de ser mais simples, apresenta maior estabilidade, quando comparado ao tratamento dessa má-oclusão na dentição permanente.

Colaboração: Dr. Wagner Destéfano

Cirurgião Dentista – CRO 10637