Cianorte 73 anos: inovação como forma de recomeçar

No dia 26 de julho, Cianorte completa 73 anos. A data permite olhar para a cidade não apenas pela memória de sua fundação, mas pela capacidade que o município demonstrou, em diferentes momentos, de mudar de rota, criar soluções e transformar dificuldades em novo ciclo de desenvolvimento.

Cianorte nasceu em 1953, a partir da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, em meio ao avanço da colonização regional e da promessa da terra fértil. Durante anos, a economia local teve no café uma de suas principais bases. Mas, quando as geadas e as mudanças econômicas dos anos 1970 atingiram o setor cafeeiro, a cidade precisou fazer o que hoje chamamos de inovar: adaptar-se para continuar crescendo.

A resposta veio pela indústria, pelo comércio, pelo associativismo e pela formação profissional. A cidade agrícola abriu espaço para o setor de confecções e consolidou a imagem de Capital do Vestuário. Esse movimento mostrou que inovação nem sempre começa com computadores, aplicativos ou inteligência artificial. Às vezes, ela começa quando uma comunidade percebe que precisa reorganizar sua economia, aprender novas competências e criar novos mercados.

Essa cultura de articulação local também aparece na trajetória da ACIC, fundada em 1963 para representar a classe empresarial de uma cidade que já entrava em fase de expansão comercial e industrial. Décadas depois, essa mesma lógica de união entre empresários, instituições e poder público ajudaria a preparar o terreno para uma agenda mais estruturada de inovação.

Nos anos recentes, a tecnologia passou a ocupar papel mais visível. O NUTEC, Núcleo Setorial de Tecnologia da Informação e Comunicação, representa essa virada. Sua atuação reúne profissionais e empresas de tecnologia, promove capacitação, troca de experiências, eventos, consultoria e defesa de pautas para o setor. Mais do que um grupo técnico, o NUTEC ajuda a mostrar que tecnologia é infraestrutura estratégica para todos os setores da economia local.

A partir de 2021, a inovação em Cianorte ganhou dimensão regional com o Sistema Regional de Inovação do Médio Noroeste, articulando poder público, iniciativa privada, instituições de ensino e sociedade civil. Em 2022, veio um marco institucional decisivo: a Lei Complementar nº 163, que instituiu a Política Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, criou o sistema municipal, o Centro de Inovação, o Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Fundo Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Em 2023, o Centro de Inovação de Cianorte conquistou credenciamento junto ao SEPARTEC, o Sistema Estadual de Parques Tecnológicos. Em 2025, o SRI Festival e o Cinturão da Inovação reforçaram a ideia de que o desenvolvimento tecnológico da região depende de cooperação entre municípios, empresas, escolas, universidades e gestores públicos.

Agora, em 2026, a cidade chega com instrumentos mais concretos. O Programa de Incubação prevê apoio a projetos inovadores, com trilha de desenvolvimento, mentorias, acompanhamento técnico e auxílio financeiro. O PIBITI municipal aproxima estudantes, professores, empresas e pós-graduação em projetos de desenvolvimento tecnológico. Já o Programa Vestuário Inteligente leva inteligência artificial para micro e pequenas empresas da cadeia do vestuário, demonstrando que a tradição produtiva local pode dialogar com as tecnologias mais recentes.

Há, nesse caminho, uma ponte simbólica com a fala de Gastão de Mesquita, fundador da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Ao tratar dos princípios que orientavam a colonização e o desenvolvimento regional, o registro histórico menciona “livre iniciativa”, “garantia do direito de propriedade”, “estímulo do lucro” e “bom elemento humano”. Hoje, essa visão empreendedora aparece atualizada em outra linguagem: capital humano, inovação aberta, transformação digital, empreendedorismo tecnológico e desenvolvimento regional.

A história de Cianorte, portanto, pode ser lida como uma sequência de reinvenções. Em 1953, inovar era ocupar, plantar e construir. Nos anos 1970 e 1980, era superar a crise do café e industrializar. Nos anos 2000, era profissionalizar, associar e competir. Nos anos atuais, é conectar conhecimento, tecnologia, empreendedorismo, inteligência artificial e políticas públicas.

Aos 73 anos, Cianorte não celebra apenas o que já foi. Celebra também a pergunta que move toda cidade inovadora: que futuro ainda somos capazes de construir?