Vacinação foi antecipada para bebês a partir dos 6 meses em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo; medida busca conter a circulação do vírus.
O estado de São Paulo registrou 13 casos de sarampo em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). Os diagnósticos ocorreram em bebês de até 1 ano e em adultos com idades entre 20 e 50 anos.
Diante do cenário epidemiológico, o governo paulista reforçou o alerta para que crianças, adolescentes e adultos verifiquem a situação vacinal. A imunização é considerada a principal forma de prevenir a doença e interromper a circulação do vírus.
Bebês devem receber a dose zero
Desde junho, a SES-SP recomenda a aplicação da dose zero da vacina tríplice viral em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias. A orientação é destinada aos moradores dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
A tríplice viral protege contra sarampo, rubéola e caxumba. A antecipação busca proteger os bebês durante o primeiro ano de vida, período em que eles ainda não receberam a primeira dose prevista no calendário de rotina.
A dose zero não substitui as demais aplicações do Calendário Nacional de Vacinação. Após recebê-la, a criança deve tomar a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses.
A segunda dose deve ser aplicada aos 15 meses, preferencialmente com a vacina tetraviral, que também oferece proteção contra a catapora.
Adultos também precisam verificar a vacinação
Crianças, adolescentes e adultos que não tenham recebido as doses recomendadas devem procurar uma unidade de saúde. A orientação é levar a caderneta de vacinação para que os profissionais possam avaliar a necessidade de atualização.
De acordo com a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo (CVE-SP), Tatiana Lang, a vacinação continua sendo a maneira mais segura e eficaz de evitar o sarampo.
“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação das crianças, e que adolescentes e adultos procurem uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal sempre que necessário”, afirmou a diretora, em declaração divulgada pela SES-SP.
Sarampo é altamente transmissível
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. As partículas infectantes podem permanecer suspensas no ar e no ambiente mesmo depois que a pessoa contaminada deixa o local.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, alertou que o sarampo encontra espaço para se espalhar principalmente em cenários de baixa cobertura vacinal.
“O sarampo não poupa pessoas que não tenham sido vacinadas e, em cenários de baixa cobertura vacinal, é a primeira doença que se manifesta”, declarou Kfouri à Agência Brasil.
O especialista destacou que o Brasil voltou a eliminar a circulação endêmica do sarampo em 2024. Isso, no entanto, não impede o registro de casos importados ou de transmissões relacionadas a pessoas infectadas no exterior.
Segundo Kfouri, surtos registrados em países das Américas aumentam o risco de reintrodução do vírus. Por isso, a recomendação é manter cobertura vacinal acima de 95% com as duas doses, além de fortalecer a vigilância epidemiológica.
Vigilância ajuda a impedir novos surtos
A identificação rápida de casos suspeitos permite o rastreamento de contatos e a realização da vacinação de bloqueio. Essas medidas reduzem o risco de que casos isolados provoquem uma nova circulação sustentada da doença.
Moradores com dúvidas podem consultar o portal Vacina 100 Dúvidas, mantido pelo governo de São Paulo. A página apresenta informações sobre eficácia dos imunizantes, possíveis eventos adversos, doenças preveníveis e riscos da falta de vacinação.
Manter a caderneta atualizada protege quem recebe a vacina e ajuda a reduzir a transmissão para bebês e outras pessoas vulneráveis.
Fonte: Agência Brasil