Medicamentos de alto custo, incluindo produtos contra o câncer, eram vendidos por até R$ 34,9 mil; investigação aponta lotes inexistentes e risco aos pacientes
A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de um casal suspeito de roubar, armazenar e comercializar ilegalmente medicamentos de alto custo. Entre os produtos apreendidos estavam remédios oncológicos, insulina, morfina, antibióticos e anestésicos de uso controlado.
O estudante de Direito Guilherme Silva Lopes de Sena e a enfermeira Fernanda Rodrigues de França foram presos em flagrante na terça-feira (21). Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva durante audiência de custódia, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.
Remédios contra o câncer custavam até R$ 34,9 mil
De acordo com as investigações, o casal é suspeito de vender ilegalmente medicamentos indicados para o tratamento de leucemias e linfomas. Algumas caixas eram oferecidas por valores que chegavam a R$ 34.920.
A apuração também aponta que parte dos produtos não apresentava eficácia terapêutica comprovada. Os lotes informados nas embalagens não constavam nos registros oficiais dos fabricantes, situação que poderia colocar em risco a vida dos pacientes.
Polícia apreendeu medicamentos de uso controlado
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, os agentes encontraram uma grande quantidade de produtos hospitalares.
Entre os itens apreendidos estavam quimioterápicos, insulina, morfina, antibióticos, anestésicos de uso controlado e outros medicamentos de alto valor comercial. Conforme os autos, os suspeitos não apresentaram notas fiscais nem autorização legal para armazenar o material.
Ministério Público aponta possível organização criminosa
Na audiência de custódia, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro afirmou que existem indícios de venda, armazenamento e distribuição de produtos farmacêuticos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A promotoria também pediu a inclusão do crime de organização criminosa. Segundo o órgão, há elementos que indicam uma possível atuação conjunta dos investigados com um grupo responsável pelo roubo e pelo escoamento de cargas de medicamentos.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer a origem dos produtos apreendidos. Os suspeitos poderão apresentar defesa durante o andamento do processo.
Fonte: Agência Brasil