Lula critica proposta de Trump e diz que presidente dos EUA quer criar “nova ONU”

Durante evento do MST, presidente alerta para riscos ao multilateralismo e denuncia ação militar na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (23), que o cenário internacional vive um momento crítico com o avanço do unilateralismo e ataques ao sistema multilateral representado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração foi feita durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador.

Lula criticou diretamente a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um novo “Conselho de Paz” internacional, sugerindo que o norte-americano quer fundar uma nova ONU sob sua liderança. “O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono”, disse. O Conselho seria responsável por supervisionar um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

Conjuntura geopolítica e soberania dos povos

O presidente brasileiro afirmou estar dialogando com líderes mundiais, como Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Claudia Sheinbaum (México), para barrar a proposta de Trump e defender o multilateralismo. Segundo Lula, é preciso buscar soluções diplomáticas e respeitar a soberania dos países.

A ação recente dos EUA na Venezuela foi duramente criticada. Lula denunciou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, citando que o ato ocorreu com presença de tropas norte-americanas na região. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? A América do Sul é um território de paz”, afirmou.

“Não queremos mais Gaza, nem Guerra Fria”

Lula ressaltou que o Brasil não aceitará ser submisso a qualquer potência e que quer fazer política com diálogo, e não com armas. “Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumentos, com narrativas. Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, declarou.

Ele também reafirmou que o Brasil não tem preferência por nenhuma potência global, mas não aceitará imposições externas. “Não vamos voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, completou.

Encerramento do encontro do MST

O evento marcou os 42 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, com a presença de mais de 3 mil pessoas. Durante cinco dias, os participantes debateram temas como reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, conjuntura política e resistência ao imperialismo.

Ao fim do encontro, o MST entregou a Lula uma carta política na qual critica a tentativa de impor novos blocos de poder no mundo e denuncia o que considera ataques à soberania dos povos. O documento também reafirma o compromisso do movimento com a luta pela reforma agrária popular, a justiça social e a solidariedade internacional.

Fonte: Agência Brasil