Medida mira uso seguro de medicamentos GLP-1 e reforça combate a irregularidades na importação, prescrição e venda no Brasil
A Anvisa anunciou uma nova frente de atuação para frear irregularidades envolvendo as chamadas canetas emagrecedoras. Em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a agência assinou uma carta de intenção para promover o uso racional e seguro dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1.
Segundo a Anvisa, a iniciativa busca reduzir riscos sanitários ligados a produtos irregulares e a práticas fora das normas. A proposta prevê troca de informações entre os órgãos, alinhamento técnico e ações educativas voltadas tanto a profissionais de saúde quanto à população.
O movimento integra um plano mais amplo de combate a irregularidades na importação e manipulação desses medicamentos, anunciado pela agência em 6 de abril de 2026. Entre as medidas estão o incentivo à prescrição responsável, o reforço na notificação de eventos adversos e campanhas de orientação.
Cresce a preocupação com uso fora das indicações
De acordo com a Anvisa, o avanço da procura por canetas emagrecedoras tem ampliado a preocupação com o uso de medicamentos originalmente indicados para doenças crônicas, como diabetes e obesidade. A agência alerta que o aumento da oferta também vem acompanhado de falhas em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação.
Na avaliação do órgão, essas irregularidades podem expor pacientes a riscos evitáveis. Por isso, a articulação com os conselhos profissionais pretende ampliar a fiscalização e fortalecer a orientação técnica sobre o tema.
Grupos de trabalho devem ser criados
A expectativa da Anvisa é publicar, ainda nesta semana, portarias para criar dois grupos de trabalho. Um deles terá papel consultivo e estratégico, acompanhando a execução do plano de ação.
O segundo grupo será formado por integrantes dos três conselhos de saúde e deve aprofundar o debate técnico sobre o uso desses medicamentos. A intenção é qualificar as discussões e apoiar medidas de segurança sanitária.
Anvisa apreende produtos sem registro
Nesta semana, a agência também determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. Além da apreensão, a medida proibiu a comercialização, a distribuição, a importação e o uso dos produtos no país.
Segundo a Anvisa, os itens eram divulgados na internet como medicamentos injetáveis de GLP-1, mas não possuem registro, notificação nem cadastro junto ao órgão. Por isso, a agência afirma que não há garantias sobre conteúdo, procedência ou qualidade.
Ônibus vindo do Paraguai foi interceptado
Outro episódio reforçou o alerta das autoridades. Nesta semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou, em Duque de Caxias, um ônibus vindo do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes.
De acordo com a ocorrência, 42 passageiros estavam no veículo no momento da abordagem. Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu foi preso em flagrante com grande quantidade de produtos de origem paraguaia, incluindo mil frascos de canetas emagrecedoras com tirzepatida.
Alerta inclui risco de pancreatite aguda
Em fevereiro, a Anvisa já havia emitido um alerta de farmacovigilância sobre o uso indevido desses medicamentos. O grupo citado inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
A agência informou que, embora os riscos estejam descritos nas bulas dos produtos aprovados no Brasil, as notificações de eventos adversos vêm aumentando no país e no exterior. Entre as complicações graves mencionadas está a pancreatite aguda, inclusive em formas necrotizantes e fatais.
A orientação oficial é que esses medicamentos sejam usados apenas conforme indicação aprovada em bula, com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado. O objetivo, segundo a Anvisa, é reduzir danos e garantir mais segurança aos pacientes.
Fonte: Agência Brasil.