Saúde envia equipes a Roraima para monitorar fronteira com Venezuela

Plano emergencial pode incluir hospitais de campanha diante de crise migratória após ataque dos EUA

O Ministério da Saúde deslocou equipes da Força Nacional do SUS para Roraima, com o objetivo de avaliar o cenário sanitário na fronteira com a Venezuela. A medida ocorre após o agravamento da crise internacional, provocado por um ataque militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O envio das equipes visa levantar dados sobre a capacidade hospitalar local, verificar a oferta de vacinas, insumos e recursos humanos, além de planejar possíveis ampliações da rede de saúde. Um plano de contingência está em elaboração para garantir resposta rápida do Sistema Único de Saúde (SUS) caso aumente o fluxo migratório.

Segundo nota do ministério, os profissionais deslocados possuem experiência em situações de tragédia e estão avaliando a estrutura disponível para definir ações imediatas. A pasta também se colocou à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para oferecer ajuda humanitária à Venezuela, especialmente após a destruição do principal centro de distribuição de insumos médicos em La Guaira.

Caso necessário, o governo federal pretende instalar hospitais de campanha e ampliar estruturas já existentes, a fim de evitar a sobrecarga dos serviços de saúde locais.

Apesar da tensão diplomática e do impacto internacional do ataque — que revive o histórico de intervenções dos EUA na América Latina —, o Ministério da Saúde destacou que, até o momento, o fluxo de migrantes se mantém estável na região. A pasta reafirmou o compromisso do SUS com a assistência universal, garantindo atendimento a todos, independentemente de nacionalidade ou status migratório.

Entenda o contexto

No último sábado (3), explosões atingiram Caracas durante uma ofensiva militar dos EUA. Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados por forças especiais americanas e levados para Nova York. A justificativa do governo norte-americano se baseia em acusações antigas de envolvimento com tráfico internacional, embora especialistas questionem a existência do suposto cartel De Los Soles.

Analistas avaliam a operação como uma manobra geopolítica para ampliar a influência dos EUA na América do Sul e garantir acesso às vastas reservas de petróleo venezuelanas — as maiores do mundo.

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Fonte: Agência Brasil