Lula reforça com Putin compromisso do Brasil pela paz na guerra da Ucrânia

Presidente também defende soberania nacional e critica visão dos EUA sobre América Latina

Durante visita oficial à Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou ao presidente Vladimir Putin a posição do Brasil em favor do fim da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em coletiva neste sábado (10), após dois dias de compromissos em Moscou, Lula afirmou que a defesa da paz continua sendo uma prioridade inegociável para a diplomacia brasileira.

“O discurso do Brasil vai continuar exatamente o mesmo. Nós trabalhamos, queremos e torcemos para que essa guerra acabe”, declarou. Ele ressaltou que uma solução pacífica depende da vontade conjunta das duas nações envolvidas no conflito. “Se um só quiser, não vai acabar”, frisou.

Lula também destacou que o Brasil integra um grupo de 13 países emergentes, articulado com a China, que se propõe a atuar como facilitador de um possível acordo. A proposta brasileira é condicionada à aceitação mútua entre Rússia e Ucrânia.

Além da guerra no leste europeu, o presidente citou a crise humanitária na Faixa de Gaza, condenando ações militares israelenses. Para ele, o mundo precisa investir em saúde, educação e alimentação, e não em armamentos. “Estamos gastando trilhões de dólares com armas, quando deveríamos estar gastando com comida para quem tem fome.”

Durante sua permanência na Rússia, Lula também participou das comemorações dos 80 anos da vitória soviética sobre o nazismo. O desfile em Moscou foi alvo de críticas por parte da comunidade internacional, que o classificou como propaganda política. Lula rebateu: “A Europa inteira deveria estar fazendo festa. Esse país perdeu 26 milhões de jovens na guerra.”

“Brasil é quintal do Brasil”

Questionado sobre a recente declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que sugeriu que os norte-americanos deveriam “recuperar seu quintal”, em referência à América Latina, Lula respondeu com firmeza. “O Brasil não é quintal de ninguém. É um país livre e soberano.”

A fala ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, com novas tarifas impostas pelos governos de Donald Trump e Xi Jinping. Segundo Lula, o Brasil busca um comércio internacional mais justo e solidário. “Precisamos de um comércio mais flexível e que favoreça os países menores e mais pobres.”

Lula agora segue para Pequim, onde cumprirá agenda oficial com o presidente chinês nos dias 12 e 13 de maio. Em julho, o Brasil sediará a cúpula dos Brics, no Rio de Janeiro, sob sua presidência rotativa. No encontro, temas como a reforma da governança global e o desenvolvimento sustentável com inclusão social estarão em pauta.

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Fonte: Agência Brasil (Andreia Verdélio)