Audiência na Alep destaca inclusão e políticas públicas para surdos no Paraná

Evento propôs ações efetivas para garantir direitos e dar protagonismo à comunidade surda

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (19), uma audiência pública histórica com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como principal meio de comunicação. O encontro, proposto pelo deputado Goura (PDT), debateu a criação e ampliação de políticas públicas voltadas à população surda, além de valorizar a cultura, o trabalho e a arte produzidos por essa comunidade.

Com participação expressiva de representantes de entidades, gestores públicos e membros da sociedade civil, a audiência teve como foco principal a necessidade de garantir acessibilidade contínua — não apenas pontual —, promovendo o protagonismo surdo em todas as esferas da vida pública. Goura enfatizou que “é preciso sair da lógica do assistencialismo e construir políticas intersetoriais que realmente atendam as demandas dessa população”.

Desafios e demandas em destaque

Entre os principais pontos levantados durante o evento estiveram a escassez de intérpretes de Libras em serviços públicos e eventos culturais, a falta de acessibilidade em unidades de saúde e escolas, e a carência de políticas que reconheçam os surdos como trabalhadores e cidadãos plenos.

O deputado Pedro Paulo Bazana (PSD), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, destacou a importância de escutar diretamente as pessoas com deficiência. Já vereadores de Curitiba e representantes do interior reforçaram a urgência da expansão do ensino de Libras nas escolas e da formação de profissionais qualificados para atender essa demanda.

Cultura e representatividade em foco

A secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande, afirmou que os editais já vêm sendo adaptados para garantir acessibilidade e que novos sistemas estão sendo implantados nos equipamentos culturais do estado. A Fundação Cultural de Curitiba e o Sindicato dos Artistas e Técnicos do Paraná (Sated/PR) também apresentaram avanços, como a criação da Mostra Surda e o reconhecimento de profissionais surdos nas artes cênicas.

Carlos Eduardo Vilela, surdocego e coordenador no Sated, ressaltou a dificuldade de acesso às manifestações culturais. Ele defendeu a ampliação da Libras tátil e de intérpretes capacitados como forma de inclusão efetiva. A professora Rafaela Hoebel e a artista Gabriela Grigolon também destacaram a necessidade de mais espaço para profissionais surdos na criação artística e nos editais públicos.

Legislação e dados preocupantes

Apesar da existência de leis estaduais e federais que reconhecem e garantem o uso da Libras como idioma oficial da comunidade surda, a realidade está longe da ideal. Dados do IBGE indicam que apenas 1,8% das pessoas com deficiência auditiva no Brasil dominam a Libras. Em Curitiba, dos 400 mil moradores com deficiência, 80 mil são surdos — e muitos enfrentam barreiras diárias para exercer a cidadania.

A audiência pública ainda apontou falhas na inclusão em áreas como saúde, educação e justiça, reforçando a urgência da implementação real do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 18.419/2015) no Paraná. A professora Sueli Fernandes (UFPR) chamou a atenção para a condição de minoria linguística da comunidade surda e a necessidade de políticas bilíngues nas escolas públicas.

Caminhos para o futuro

Entre as propostas debatidas, destacam-se a ampliação da Central de Libras, a criação de centros de atendimento especializados em surdez em mais municípios, e o fortalecimento da formação de intérpretes e professores de Libras. Também foram sugeridas ações afirmativas para garantir maior inserção dos surdos no mercado de trabalho e na produção artística e cultural.

O deputado Goura reafirmou seu compromisso com a causa, destacando sua atuação em prol do desporto para surdos e a criação de legislações como a Lei Municipal nº 15.823/2021, que oficializa a Libras em Curitiba. Ele afirmou que continuará promovendo o diálogo e cobrando ações efetivas do poder público.

Convite à participação

A audiência foi um marco na luta por mais inclusão no Paraná e serviu de espaço para ouvir diretamente as vozes da comunidade surda. O desafio agora é transformar essas falas em políticas públicas permanentes.

Você acompanhou esse debate? O que pensa sobre as políticas públicas para pessoas com deficiência no Paraná? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe esta matéria para ampliar a discussão sobre inclusão!

Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná (19/05/2025).