Confronto entre PM e indígenas marca operação de desocupação em área nobre de Brasília

Decisão judicial do TRF1 motivou ação no Setor Noroeste, próximo a comunidade indígena

Policiais militares e indígenas entraram em confronto nesta terça-feira (15) durante uma operação de desocupação em uma área pública do Setor Noroeste, uma das regiões mais valorizadas de Brasília. A ação foi determinada pela desembargadora Kátia Balbino, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), e envolveu a empresa pública Terracap e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

A área em questão, situada na quadra 707 do Noroeste, segundo laudo da Terracap, estava desocupada desde março, sem sinais de moradores ou presença indígena. Imagens aéreas reforçaram essa avaliação e serviram como base para a decisão judicial, que também visa impedir futuras ocupações irregulares e garantir a continuidade de obras de infraestrutura no local.

Apesar disso, o terreno fica próximo à aldeia Areme Eia, instalada na quadra 308, o que gerou tensões com a comunidade indígena local. Quando a PM chegou ao local para garantir a execução da ordem, encontrou resistência de manifestantes nas proximidades de um barraco não residencial que seria demolido.

A Polícia Militar tentou negociar a retirada voluntária, mas não houve acordo. Os indígenas teriam começado a arremessar pedras contra os policiais, que então acionaram reforços do Batalhão de Choque e da Cavalaria para realizar a dispersão utilizando técnicas de controle de distúrbios civis.

Ainda de acordo com a PM, embora os manifestantes portassem arcos e flechas, eles não foram utilizados contra os agentes. Até o momento, não há registros oficiais de feridos no confronto.

A operação ocorre no contexto do Acampamento Terra Livre 2024, movimento que reúne indígenas de diversas etnias na Esplanada dos Ministérios, sob o lema #EmergênciaIndígena: Nossos Direitos não se negociam. A mobilização tem como foco a defesa dos direitos indígenas, especialmente no que se refere à demarcação de terras e à proteção de comunidades tradicionais.

A repercussão do episódio reacende o debate sobre a ocupação do Setor Noroeste e os conflitos entre expansão urbana e comunidades indígenas no Distrito Federal. Organizações indígenas e entidades de direitos humanos acompanham o caso com preocupação.

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Fonte: Agência Brasil – Pedro Peduzzi.