Coordenador da campanha presidencial afirma que desconhecia a viagem do senador aos Estados Unidos e esperava que ele assumisse a liderança da oposição após a derrota eleitoral.
A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, menos de 48 horas após sua derrota nas eleições presidenciais, surpreendeu até mesmo integrantes próximos de sua campanha. O senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação eleitoral do ex-candidato, afirmou nesta terça-feira (27) que não tinha conhecimento da viagem aos Estados Unidos.
A declaração ocorreu após uma reunião com parlamentares e lideranças do Partido Liberal (PL), em Brasília. Segundo Marinho, a expectativa era de que Flávio permanecesse no país e assumisse o protagonismo da oposição, especialmente após receber cerca de 60 milhões de votos na disputa presidencial.
Rogério Marinho revela surpresa com saída de Flávio
O coordenador de campanha relatou que havia conversado com Flávio Bolsonaro na segunda-feira (26), quando discutiram os próximos passos políticos após o resultado das eleições. Na ocasião, não teria sido mencionada qualquer intenção de deixar o Brasil.
“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição, que é importante, porque temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação”, declarou Marinho.
O senador também revelou ter recebido uma mensagem de Flávio por volta das 8h de terça-feira. No texto, o ex-candidato informou que precisava “dar um tempo” e que voltaria a conversar com seus aliados posteriormente.
Flávio Bolsonaro teria viajado com esposa e filhas
De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, Flávio Bolsonaro teria deixado o território nacional acompanhado da esposa e das filhas. As circunstâncias do embarque e os detalhes do deslocamento ainda não foram esclarecidos.
A saída para os Estados Unidos foi noticiada inicialmente pela agência internacional Reuters e posteriormente confirmada por um interlocutor do governo norte-americano, conforme reportagem da Agência Brasil.
Entre os aliados que comentaram publicamente o episódio está o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), que associou a viagem às disputas políticas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!”, escreveu Jordy nas redes sociais.
Apesar das manifestações políticas e das informações divulgadas pela imprensa, até a publicação da reportagem original, nenhuma autoridade brasileira ou norte-americana havia apresentado um pronunciamento oficial sobre o caso.
Investigações no STF aumentam pressão sobre Flávio Bolsonaro
A viagem ocorre em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) envolvendo Flávio Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, o parlamentar é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção.
Um dos processos, em tramitação no Supremo Tribunal Federal, envolve também o advogado Willer Tomaz e apura suspeitas de lavagem de dinheiro. As investigações ainda não representam condenação, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Outro fator relevante é o encerramento do mandato de Flávio Bolsonaro no Senado Federal, previsto para fevereiro de 2027. Com o término do mandato, ele poderá perder a prerrogativa de foro decorrente do cargo, circunstância que poderá influenciar a competência para a tramitação de processos judiciais.
Moraes determinou entrega de passaportes antes da viagem
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e estabeleceu uma restrição para que o parlamentar não deixasse o território brasileiro.
A decisão, tomada em um processo sob segredo de justiça, foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais. Entretanto, de acordo com as informações publicadas pela Agência Brasil, os documentos não foram entregues conforme a determinação judicial.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal realizou o cancelamento dos passaportes do parlamentar. Ainda não foram esclarecidos publicamente os procedimentos utilizados para sua entrada nos Estados Unidos.
Antes da divulgação da viagem, Flávio Bolsonaro havia publicado um vídeo negando que pretendia deixar o Brasil. Na gravação, também afirmou que cumpriria a determinação de entregar seus documentos.
Saída de Flávio abre dúvidas sobre liderança da oposição
A ausência de Flávio Bolsonaro acontece em um momento de reorganização das forças políticas após as eleições presidenciais. O resultado eleitoral havia colocado o senador entre os principais nomes cotados para liderar a oposição ao governo.
Para Rogério Marinho, os votos recebidos por Flávio representavam uma responsabilidade política que deveria ser exercida diretamente no Brasil. A viagem inesperada, entretanto, deixou dúvidas sobre os próximos passos do ex-candidato e seus planos de atuação partidária.
Até o momento descrito na reportagem original, não havia informação confirmada sobre uma possível data de retorno ao país.
Fonte: Agência Brasil