Deputado Goura defende trilhas para conservar UCs

Em evento sobre a Travessia do Superagui, parlamentar afirmou que o uso público ordenado pode fortalecer a conservação ambiental, o turismo sustentável e a geração de renda no litoral do Paraná.

O uso público organizado das unidades de conservação pode ser uma ferramenta decisiva para proteger a natureza e impulsionar o desenvolvimento sustentável. Essa foi a defesa feita pelo deputado estadual Goura (PDT), nesta segunda-feira (11), durante a abertura do evento “Travessia do Superagui: Aventura, Natureza e Conservação”, em Antonina, no litoral do Paraná.

A atividade foi promovida pela equipe do Núcleo de Gestão Integrada Antonina-Guaraqueçaba, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O encontro integra o Plano Integrado de Estruturação de Trilhas no litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Goura representou oficialmente a Assembleia Legislativa do Paraná no evento. Em sua fala, o parlamentar defendeu políticas públicas voltadas ao cuidado com a natureza e com as comunidades que vivem no entorno das unidades de conservação.

“É uma honra representar oficialmente a Assembleia Legislativa do Paraná neste evento e aproveito para reafirmar a necessidade de focarmos nossa energia em políticas públicas efetivas de cuidado com a natureza e com a nossa gente”, afirmou.

Trilhas como estratégia de conservação

Durante o evento, Goura destacou a importância de garantir recursos para estruturar o uso público em unidades de conservação, como o Parque Nacional do Superagui. Segundo o deputado, trilhas bem planejadas podem funcionar como instrumentos de proteção ambiental, integração territorial e desenvolvimento sustentável.

O parlamentar também ressaltou que leis de sua autoria, como as que incentivam o manejo sustentável da palmeira-juçara, regulamentam a pesca artesanal e oficializam a Rota do Cicloturismo no Litoral, ajudam a criar uma base jurídica para o uso responsável dos recursos naturais.

Além disso, Goura citou a tramitação do projeto que cria o Sistema Estadual de Trilhas de Longo Curso. Para ele, a medida pode ampliar a conexão entre conservação da biodiversidade, turismo sustentável e geração de renda para comunidades tradicionais.

“Essa legislação é fundamental no contexto da proteção ambiental e ajuda a transformar a conservação da biodiversidade em um indutor de renda para comunidades tradicionais e em um motor para o turismo sustentável”, afirmou.

“O bom uso evita o mau uso”, afirma Goura

Ao defender a implementação de trilhas em áreas protegidas, Goura afirmou que o uso público ordenado ajuda a evitar a degradação ambiental e ocupações irregulares.

“Foi essa a tese defendida aqui: a de que o ‘bom uso evita o mau uso’, estabelecendo que a presença monitorada de visitantes e o manejo técnico dos caminhos constituem uma forma de atuação contra a degradação e as ocupações irregulares”, disse.

Segundo o deputado, quando o território é transformado em espaço de educação ambiental e visitação responsável, a gestão pública fortalece a preservação dos ecossistemas. A proposta é que trilhas estruturadas também funcionem como instrumentos de controle territorial e conscientização.

Evento reuniu especialistas do ICMBio, MMA e IAT

A abertura do encontro contou com a participação de Camile Lugarini, chefe do NGI Antonina-Guaraqueçaba; Sônia Kinker, do ICMBio; Camila Schluter Vasconcelos, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Rafael Andreguetto, do Instituto Água e Terra; Daniel R. da Silva, da Fundação Florestal; e Tatiana Nasser, diretora da Secretaria de Turismo do Paraná.

Durante a programação, foi apresentada a estrutura da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade. A iniciativa integra os ministérios do Turismo e do Meio Ambiente e tem como objetivo conectar unidades de conservação em diferentes regiões do país.

A apresentação destacou três pilares principais: recreação, conservação e geração de emprego e renda. Atualmente, segundo os dados apresentados no evento, a rede conta com sete grandes trilhas nacionais, incluindo o Caminho dos Goyazes e a Trilha Velho Chico, somando mais de 16 mil quilômetros implementados.

Visitação em unidades de conservação deve crescer

Outro ponto abordado no encontro foi o aumento da visitação em unidades de conservação federais. Dados projetados para 2025 indicam a possibilidade de ultrapassar 28,6 milhões de visitas em 175 áreas monitoradas.

Entre as áreas com maior volume de público, foram citadas a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca e o Parque Nacional da Tijuca. Os números reforçam a importância das unidades de conservação para o turismo nacional e para a economia ligada à natureza.

Para sustentar esse crescimento, especialistas apresentaram o Protocolo de Manejo de Trilhas. A ferramenta prevê um ciclo contínuo de planejamento, execução, monitoramento e manejo, com foco na preservação das trilhas e na segurança dos visitantes.

Debates destacam renda e turismo sustentável

A programação técnica da Travessia do Superagui também reuniu debates no Armazém Macedo, em Antonina. Camila Vasconcelos, do MMA, e Sônia Kinker, do ICMBio, apresentaram o histórico da Rede Brasileira de Trilhas, experiências internacionais e marcos legais do setor.

Em outro momento, os técnicos Geraldo Pereira e Paulo Faria, do ICMBio, discutiram o papel das trilhas como infraestrutura estratégica para a sensibilização ambiental e a proteção dos ecossistemas.

Também houve debates conduzidos por Thiago Beraldo e Sara Moraes, com foco em planejamento, manejo, governança, manutenção, divulgação e geração de renda para comunidades locais envolvidas com trilhas de longo curso.

Fonte: Assessoria Parlamentar do deputado Goura.