Especialistas alertam que mudanças bruscas de temperatura reduzem defesas do organismo e podem piorar rinite, sinusite, gripes e resfriados. Hidratação e lavagem nasal ajudam na prevenção.
Mudanças bruscas de temperatura podem aumentar o risco de crises respiratórias, especialmente em pessoas com rinite, sinusite, asma e outras doenças crônicas. O alerta é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, em reportagem publicada nesta terça-feira (12).
Segundo o otorrinolaringologista Luciano Gregório, diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a instabilidade do clima pode reduzir algumas defesas naturais do organismo e facilitar a ação de vírus no sistema respiratório.
“É como se a defesa tivesse uma abertura de alguma maneira danificada, então alguns patógenos virais se aproveitam e podem infeccionar o nosso nariz”, explicou Gregório à Agência Brasil.
Mudança de temperatura pode entupir o nariz
O clima instável exige atenção principalmente de pessoas com rinite não alérgica. De acordo com o especialista, fatores como mudança de temperatura, cheiro de fumaça e perfume podem provocar congestão nasal.
A variação térmica também pode alterar impulsos nervosos e contribuir para o entupimento do nariz em alguns pacientes. Em ambientes fechados, o ar seco e o frio tendem a aumentar a frequência de rinite, inflamação do nariz, e sinusite, inflamação dos seios da face.
Hidratação e lavagem nasal ajudam na prevenção
Entre as medidas recomendadas para proteger a saúde respiratória nos dias frios e instáveis está a hidratação. Beber água ajuda a manter o bom funcionamento das vias respiratórias e evita o ressecamento nasal.
“Manter-se hidratado ajuda de diversas maneiras porque, se você não beber água e ficar desidratado, vai atrapalhar de alguma maneira a saúde nasal”, afirmou Luciano Gregório.
Outra orientação é fazer lavagem nasal com soro fisiológico 0,9%, de uma a quatro vezes ao dia, conforme a necessidade. A prática ajuda a remover poeira, alérgenos e secreções, além de melhorar a limpeza do nariz.
Segundo Gregório, a lavagem nasal pode ser feita com diferentes dispositivos, como garrafinhas de compressão, seringas próprias para lavagem e soluções salinas isotônicas.
Cuidado com ambientes muito secos ou úmidos
Manter o ambiente levemente úmido também pode ajudar, mas o excesso de umidade exige atenção. Locais muito úmidos podem favorecer mofo e ácaros, o que piora sintomas respiratórios, principalmente em pessoas alérgicas.
Para quem enfrenta ambientes com ar muito seco, como aviões, o médico lembra que existem géis de hidratação nasal vendidos em farmácias. Ele explica que a lavagem nasal limpa a cavidade do nariz, mas quem hidrata a narina é o gel de soro.
Crianças, idosos e doentes crônicos exigem atenção redobrada
O otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros também reforça que a queda de temperatura dificulta a função do nariz de aquecer e umidificar o ar inspirado. Isso prejudica a defesa natural do sistema respiratório e pode abrir espaço para infecções e inflamações.
Entre as doenças mais comuns nesse período estão gripes, resfriados, sinusites, crises de rinite alérgica e laringites. Em pessoas com imunidade baixa, esses quadros podem evoluir com maior gravidade.
Além da hidratação e da lavagem nasal, Barros recomenda evitar ambientes fechados e com aglomeração, onde a circulação de vírus respiratórios costuma ser maior. Também é importante manter uma rotina de sono adequada e alimentação equilibrada.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas, como rinite, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), devem ter atenção especial. Em caso de tosse persistente, chiado no peito, febre ou piora dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
Fonte: Agência Brasil.