Inflação de 2026 sobe para 4,36% e mercado mantém PIB em 1,85%

Boletim Focus elevou pela quarta semana seguida a projeção do IPCA, enquanto estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano foi mantida.

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil subiu para 4,36% em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central. A nova estimativa representa a quarta alta seguida e reforça a atenção dos agentes econômicos sobre o comportamento dos preços nos próximos meses.

Mesmo com a revisão para cima, a projeção do IPCA ainda permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação. Definida pelo Conselho Monetário Nacional, a meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Inflação segue pressionada

A elevação da previsão ocorre em meio ao cenário de incerteza internacional, especialmente pelas tensões no Oriente Médio. Esse ambiente tem aumentado a cautela do mercado em relação à trajetória da inflação e aos próximos passos da política monetária.

Em fevereiro, a inflação oficial ficou em 0,7%, puxada principalmente pelos grupos de transportes e educação. Apesar disso, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

A inflação de março será divulgada na quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado deve mostrar se o cenário externo já começou a ter impacto mais forte sobre os preços no país.

Selic segue como principal instrumento do BC

Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime.

Antes da piora do cenário externo, parte do mercado apostava em um corte maior, de 0,5 ponto. Agora, a leitura é de que o BC pode agir com mais cautela diante das incertezas internacionais e da pressão inflacionária.

O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de abril. Para o fim de 2026, os analistas mantiveram a projeção da Selic em 12,5% ao ano.

Para 2027, a estimativa é de juros em 10,5% ao ano. Em 2028, a previsão cai para 10%, e em 2029, para 9,75%.

Como a Selic afeta a economia

Quando a Selic sobe, o crédito tende a ficar mais caro, o que ajuda a frear o consumo e reduzir a pressão sobre os preços. Por outro lado, juros elevados também dificultam investimentos e podem limitar o crescimento da economia.

Já quando a taxa recua, a tendência é de estímulo ao consumo e à produção. Esse movimento favorece a atividade econômica, mas exige atenção redobrada com a inflação.

Para entender como os juros e o câmbio influenciam o mercado, o leitor também pode acompanhar a matéria sobre alta do dólar e pressão sobre a inflação. Outro tema relacionado é a cobertura sobre leilão de dólares do Banco Central.

PIB de 2026 fica mantido em 1,85%

No mesmo relatório, o mercado financeiro manteve em 1,85% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto para este ano. A expectativa para 2027 ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a projeção é de expansão de 2%.

O desempenho projetado mostra uma economia ainda em ritmo moderado, após o crescimento de 2,3% registrado em 2025, segundo dados do IBGE. Naquele ano, houve avanço em todos os setores, com destaque para a agropecuária.

Em um cenário de atividade mais contida, indicadores de emprego e renda seguem no radar. Um dos assuntos ligados a esse contexto é a matéria sobre queda do desemprego no Brasil. Já no setor produtivo, vale conferir a cobertura sobre importação pelos portos paranaenses.

Dólar é estimado em R$ 5,40 no fim do ano

O Boletim Focus também manteve a previsão do dólar em R$ 5,40 no encerramento de 2026. Para o fim de 2027, a expectativa é de cotação em R$ 5,45.

A trajetória do câmbio segue sendo um dos pontos de maior atenção do mercado, já que a valorização da moeda norte-americana pode pressionar preços internos, especialmente de combustíveis, insumos e produtos importados.

O que o mercado observa daqui para frente

Os próximos dados de inflação e as decisões do Banco Central devem ser determinantes para calibrar as expectativas do mercado. O foco está na combinação entre cenário internacional, comportamento do dólar, ritmo da atividade econômica e trajetória dos juros.

A manutenção do PIB e a alta da inflação mostram que 2026 começou com sinais mistos para a economia brasileira. O desafio será equilibrar crescimento, controle de preços e estabilidade monetária nos próximos meses.

Fonte: Agência Brasil