Falta-me, sim, a inocência hoje,
solta no tempo, esquecida outrora;
quando criança não contava o tempo
a cada minuto, como faço agora.
Se aos pés da Virgem eu pedia vida,
na ânsia que as horas fossem breves…
Não sabia que o passar do tempo
deixaria o fardo muito menos leve.
Se a menina de então, queria pressa
aspirando aquilo que não tinha
não percebeu que tinha vida à beça.
E a vida que ganhou tão apressada,
consumiu-se no tempo, ora definha,
e hoje tem muito menos quando tinha nada!
Izaura Varella
Academia de Letras de Cianorte