Bem me lembro, lá pelos idos do ano de 1.989, das articulações para o nascimento da UNIMED em Cianorte. A Constituição Federal havia promulgada em 5 de outubro de 1.988 e determinava que entrasse em vigor imediatamente. Em 31 de dezembro de 1.988 acabava o mandato do Prefeito Municipal Jorge Moreira da Silva e de seu vice-prefeito Pedro Coelho Pedroche. Em 1º de Janeiro de 1.989 assumia como Prefeito Municipal Edno Guimarães, juntamente com a Câmara Municipal eleita composta por 9 vereadores cujos mandatos se encerrariam em 31 de Dezembro de 1.992. E assim aconteceu. Foram eleitos: Izaura Aparecida Tomaroli Varella, professora, primeira Vereadora mulher eleita em Cianorte, os médicos Wilson Tramontini, Luiz Fernando Nicolau, Jorge Akira Honda e Jorge Abou Nabhan; o farmacêutico Jurandir Romero, Luiz Zampar, Mário Padial e Manoel Boto de Oliveira.
A nova Constituição exigiu da Câmara Municipal uma tarefa árdua que foi a composição da Nova Lei Orgânica Municipal de Cianorte, que rigorosamente, deveria obedecer a Constituição Federal e Estadual. Foi realmente um trabalho muito difícil, principalmente com relação à saúde municipal. A Constituição Federal exigia em seu artigo 196 e demais que o atendimento à saúde passasse a ser um atendimento universal e gratuito, de forma que todos, sem exceção, tivessem acesso livro. Antes de 1.988, o atendimento à saúde era feito por médicos, hospitais e consultórios e só aconteciam mediante o pagamento do serviço prestado ao paciente. Quem tinha condição financeira suficiente para abarcar estas despesas, tudo bem. Quem era hipossuficiente dependia da caridade alheia, de remédios receitados pelas farmácias e utilizavam-se plantas medicinais.
Diante a criação do Sistema Único de Saúde para o Brasil inteiro, todos os cidadãos teriam o direito de acesso. Claro, que se o acesso à saúde deveria ora diante ser gratuito e diante do Estado assumir seu papel de protetor da saúde de seus cidadãos, a classe médica ficou preocupada que esta reforma pudesse interferir nos ganhos individuais de cada médico e passou a proteger-se oferecendo planos de saúde sustentáveis, ao cidadão, como forma de garantir seus ganhos, frente a um sistema ainda nebuloso e nada conhecido em seus resultados.
Aí entra o trabalho gigante do médico vereador Jorge Abou Nabhan, oriundo de família pioneira no município, homem futurista tomou para si a tarefa de implantar a UNIMED de Cianorte, com planos de saúde direcionados à classe média e que mediante pagamento mensal poderia desfrutar de um atendimento individualizado. Jorge Nadam começou então, a palmilhar o sinuoso caminho de convencimento da classe médica, que se o Estado fosse o provedor perfeito da saúde pública, os médicos teriam que se submeter às regras do Estado. Jorge Nabhan, visionário, incansável não esmoreceu diante das críticas insensatas e foi à luta contra as adversidades e no final de seu mandato, em 1.992, a UNIMED já funcionava plenamente em Cianorte. Um trabalho que foi muito pouco reconhecido pela classe. Foi difícil convencer o médico do trabalho cooperativo, como foi difícil convencer a adesão dos cidadãos comuns ao plano de saúde. Demorou para o povo entender as vantagens em ter um plano de saúde, e que só aconteceu depois de constatar a filas intermináveis nos plantões da saúde pública e que se o direito era de todos; a fila passou a ser um elemento organizador do atraso nos atendimentos. Nesta época Cianorte tinha pouco mais de 40 mil habitantes, metade do tem hoje.
Assim Jorge Nabhan assume como primeiro presidente da entidade médica. Há que se reconhecer que a audácia de Jorge Nabhan moveu montanhas!
Izaura Varella
ADVOGADA e PROFESSORA