Paraná reduz em 87,5% desmatamento da Mata Atlântica

Paraná mais verde: Estado apresentou queda de 73% no desmatamento ilegal da Mata Atlântica entre 2023 e 2024.

Área suprimida no Estado caiu de 3.298 para 411 hectares entre 2020 e 2025, segundo dados do SAD Mata Atlântica; resultado é o terceiro melhor do País.

O Paraná reduziu em 87,5% o desmatamento da Mata Atlântica em cinco períodos de monitoramento, entre 2020-2021 e 2024-2025. A área de vegetação suprimida caiu de 3.298 hectares para 411 hectares, conforme dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica.

O resultado coloca o Estado na terceira posição nacional em redução proporcional do desmatamento no período. Apenas Rio Grande do Sul, com queda de 92,6%, e São Paulo, com redução de 88,7%, registraram desempenho superior.

Em todo o Brasil, o desmatamento da Mata Atlântica recuou 59,6%, passando de 21.474 hectares em 2020-2021 para 8.658 hectares em 2024-2025. O levantamento foi elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan.

Fiscalização e tecnologia ampliam resposta no Paraná

Segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, o resultado está relacionado ao reforço da fiscalização ambiental e ao uso de tecnologias para detectar irregularidades. O Instituto Água e Terra (IAT) passou a contar com imagens de satélite, análises geográficas e plataformas que emitem alertas frequentes sobre possíveis áreas desmatadas.

“Reduzir o desmatamento ilegal é uma obsessão no Paraná. Estamos monitorando, fiscalizando e multando, e assim conseguimos salvar muitas florestas e garantir um Paraná sustentável para as futuras gerações”, afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.

A tecnologia também contribuiu para tornar as ações de campo mais rápidas e direcionadas. Além dos escritórios regionais, o Grupo de Operações Ambientais do IAT atua no atendimento de ocorrências e na fiscalização de áreas com indícios de crimes ambientais.

Plataformas identificam áreas de supressão vegetal

O Paraná utiliza ao menos três sistemas de alerta para acompanhar possíveis casos de desmatamento. Entre eles está a Rede MAIS, adotada pelo Estado em parceria com a Polícia Federal desde 2023, que disponibiliza imagens de alta resolução para o monitoramento do território paranaense.

Outra ferramenta é o Prodes Brasil, programa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Criado inicialmente para acompanhar o desflorestamento na Amazônia, o sistema passou a monitorar outros biomas em 2022, comparando imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal.

A Plataforma MapBiomas também integra esse conjunto de ferramentas. A rede reúne universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia para monitorar mudanças no uso da terra com apoio de imagens de satélite, computação em nuvem e inteligência artificial.

De acordo com a engenheira florestal do IAT, Aline Canetti, o aperfeiçoamento dos sistemas aumentou a precisão do monitoramento. Até 2020, os alertas identificavam áreas desmatadas acima de um hectare; agora, é possível detectar supressões a partir de 0,3 hectare.

ICMS Ecológico incentiva preservação ambiental

Além da fiscalização, o Paraná mantém políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade e à proteção de mananciais. Um dos principais mecanismos é o ICMS Ecológico por Biodiversidade, que compensa financeiramente municípios que abrigam unidades de conservação, terras indígenas, áreas especiais de uso regulamentado ou mananciais de abastecimento.

Do total de ICMS destinado aos municípios paranaenses, 5% são direcionados ao programa. Desse percentual, 2,5% são distribuídos a cidades com unidades de conservação e os outros 2,5% atendem municípios que protegem mananciais de abastecimento público.

Em 2025, o Governo do Paraná informou ter repassado R$ 659,6 milhões aos municípios por meio do ICMS Ecológico. O montante representa aumento de 3,7% em comparação com os R$ 635 milhões transferidos em 2024.

O IAT também incentiva iniciativas locais por meio do Pagamento por Serviços Ambientais Municipal (PSAM). O programa prevê apoio financeiro a proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural e busca fortalecer a proteção de áreas ambientais.

Desmatamento ilegal pode gerar multas e processo criminal

A prática de desmatamento ilegal pode resultar em sanções administrativas e responsabilização criminal. As penalidades estão previstas na Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, e no Decreto Federal nº 6.514/2008.

Os recursos arrecadados com multas ambientais são destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente. Conforme a legislação estadual, os valores devem financiar ações de controle, preservação, conservação e recuperação ambiental.

A população também pode colaborar com o combate aos crimes contra a flora e a fauna. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 181, do Batalhão Ambiental, ou pelos canais de Ouvidoria e escritórios regionais do Instituto Água e Terra.

Para facilitar a apuração, a orientação é informar o local da ocorrência e detalhar, de forma objetiva, os fatos observados. Quanto mais precisas forem as informações, maior a possibilidade de atendimento rápido pelas equipes responsáveis.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná.