Casos de SRAG caem no país, mas nove capitais têm alta

Boletim da Fiocruz aponta redução nacional da síndrome respiratória, enquanto Influenza A responde por 33,1% das mortes registradas entre casos positivos.

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam tendência de queda no Brasil. Apesar da melhora no cenário nacional, nove capitais ainda registram crescimento da doença, segundo o boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira, 9 de julho.

A circulação de vírus respiratórios continua elevada em algumas regiões. A Influenza B avança em estados do Centro-Sul, enquanto crianças pequenas concentram as maiores taxas de incidência e os idosos seguem como o grupo com maior mortalidade.

Nove capitais apresentam crescimento da SRAG

Até a Semana Epidemiológica 26, nove das 27 capitais brasileiras estavam em níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento no longo prazo.

A lista inclui Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco.

Outras 11 capitais também apresentaram incidência elevada, mas sem crescimento sustentado nas últimas seis semanas. São elas: Aracaju, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Macapá, Maceió, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís.

Crianças e idosos exigem atenção

Segundo a Fiocruz, o aumento dos casos em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre ocorre principalmente entre crianças menores de 2 ou 4 anos.

Em Rio Branco, o crescimento atinge crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus e Rio Branco também registram aumento entre idosos.

No cenário nacional, os casos de SRAG estão em queda ou mantêm tendência de redução entre pessoas de 2 a 49 anos e entre idosos com 65 anos ou mais. Entre pessoas de 50 a 64 anos, porém, há um leve crescimento das ocorrências.

Entre crianças menores de 2 anos, o quadro é de estabilização. Mesmo assim, esse grupo continua apresentando a maior incidência semanal da síndrome, principalmente devido ao vírus sincicial respiratório.

Influenza B cresce em cinco unidades da Federação

Os casos graves provocados pela Influenza B continuam aumentando no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo apresentam sinais de interrupção do avanço ou início de queda.

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella alertou que a redução nacional não elimina os riscos, já que os vírus respiratórios ainda circulam de forma intensa em parte do país.

“A população dos grupos prioritários deve manter a vacinação contra a influenza em dia, pois ela reduz o risco de hospitalizações e mortes”, orientou.

A pesquisadora também recomendou que pessoas com sintomas respiratórios evitem contato com idosos, crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas. O uso de máscara durante o período de sintomas também é indicado.

Influenza A lidera entre os óbitos

Nas quatro semanas epidemiológicas analisadas, o vírus sincicial respiratório respondeu por 55,9% dos casos com resultado laboratorial positivo. Em seguida aparecem rinovírus, com 23,3%; Influenza A, com 12,7%; Influenza B, com 8,4%; e Sars-CoV-2, com 2,2%.

Entre os óbitos, a Influenza A foi responsável por 33,1% dos registros positivos. O rinovírus apareceu em 26,3% das mortes, seguido pelo vírus sincicial respiratório, com 21,7%; Influenza B, com 15,4%; e covid-19, com 6,9%.

A mortalidade por SRAG permanece mais elevada entre idosos, tendo a Influenza A como principal causa. Já os casos associados à covid-19 seguem em níveis baixos em todas as faixas etárias.

Brasil supera 109 mil casos em 2026

Desde o início do ano, o Brasil notificou 109.347 casos de SRAG. Desse total, 56.530, o equivalente a 51,7%, tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório.

Outros 37.770 casos, ou 34,5%, apresentaram resultado negativo. Pelo menos 8.195 notificações, correspondentes a 7,5%, ainda aguardavam confirmação laboratorial.

A orientação da Fiocruz é manter a vacinação contra a influenza atualizada, especialmente entre os grupos prioritários, e reforçar os cuidados diante de sintomas respiratórios.

Fonte: Agência Brasil.