Medicamentos são indicados para adultos com diabetes tipo 2 e foram registrados por comparação com o Ozempic; agência também alerta para golpes e produtos ilegais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas de semaglutida para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 sem controle adequado. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 29 de julho.
Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, os medicamentos atuam no controle da glicose e podem contribuir para a perda de peso. A indicação aprovada, entretanto, é voltada ao tratamento do diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento de um profissional de saúde.
Quais são as novas canetas de semaglutida?
Os cinco medicamentos registrados pela Anvisa são:
- Owozy, da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos;
- Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil;
- Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica;
- Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos;
- Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica.
Os produtos injetáveis foram autorizados como complemento à dieta e à prática de exercícios físicos. Eles poderão ser indicados quando o uso da metformina for considerado inadequado devido à intolerância do paciente ou a contraindicações.
As autorizações constam nas resoluções 2.941/2026 e 2.942/2026 da Anvisa.
Medicamentos foram comparados ao Ozempic
Segundo a Anvisa, as novas canetas foram registradas por comparação com o medicamento biológico Ozempic. Todas possuem como princípio ativo a semaglutida produzida por via sintética.
A semaglutida é uma substância análoga ao GLP-1, hormônio natural relacionado à produção de insulina, ao controle da glicose e à sensação de saciedade. A utilização desses medicamentos deve ocorrer somente mediante prescrição e acompanhamento médico.
A agência informou que esse foi o maior volume de aprovações simultâneas de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 no país. O aumento dos pedidos de registro estaria relacionado ao desenvolvimento de versões sintéticas do hormônio a partir de 2022.
De acordo com os dados apresentados pela Anvisa, 68% das solicitações de registro de dispositivos injetáveis destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes correspondem a medicamentos sintéticos.
Registro não significa venda imediata
A Anvisa esclareceu que sua função é avaliar e autorizar o registro sanitário dos medicamentos. A agência não fabrica, distribui ou comercializa canetas de semaglutida.
O registro permite que um produto seja vendido legalmente no Brasil depois do cumprimento das demais etapas regulatórias e comerciais. O procedimento avalia critérios relacionados à segurança, eficácia e qualidade do medicamento.
A autorização também não significa que as novas canetas já estejam disponíveis nas farmácias. A chegada ao mercado dependerá das decisões das empresas responsáveis, da produção e da distribuição dos produtos.
Anvisa alerta para golpes na internet
A agência reforçou que são falsos os anúncios que afirmam que a própria Anvisa vende canetas emagrecedoras ou outros medicamentos. Publicações desse tipo podem ser usadas por criminosos para aplicar golpes e obter dados ou pagamentos das vítimas.
A orientação é não comprar medicamentos por meio de perfis, sites ou vendedores sem identificação e autorização. Anúncios suspeitos podem ser denunciados pela plataforma Fala.BR.
Retatrutida continua sem autorização
A Anvisa também alertou que a retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, ainda não possui aprovação para uso comercial.
O produto permanece em fase de pesquisa, com estudos clínicos ainda não concluídos. Conforme a agência, não existe pedido de registro da retatrutida no Brasil ou autorização para sua venda em outros países.
Mesmo assim, produtos apresentados como retatrutida têm sido oferecidos ilegalmente em sites e redes sociais. Parte dessas mercadorias já foi apreendida nas fronteiras brasileiras como contrabando.
O consumo de medicamentos de origem desconhecida pode provocar riscos imprevisíveis à saúde. A recomendação é utilizar somente produtos regularizados, adquiridos em estabelecimentos autorizados e prescritos por profissionais habilitados.
Fonte: Agência Brasil