Tecnologia desenvolvida por Bio-Manguinhos/Fiocruz acelera pesquisas para doenças raras e reforça soberania nacional
Menos de um ano após o início oficial da pandemia, o Brasil já produzia vacina contra a covid-19 com tecnologia própria. A mobilização sem precedentes da Fiocruz, especialmente do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), deixou mais do que doses prontas: construiu capacidade técnica, industrial e científica que agora impulsiona novos projetos estratégicos para o SUS.
Do caos à estrutura: como a pandemia impulsionou inovação no Brasil
Em 2020, com o avanço global da covid-19, Bio-Manguinhos interrompeu suas atividades regulares para se dedicar integralmente à busca por soluções. Ainda em março, o instituto produzia testes diagnósticos e, meses depois, firmava acordo com a Universidade de Oxford e a AstraZeneca para transferência de tecnologia da vacina.
O esforço mobilizou toda a equipe, exigiu adaptações jurídicas, aquisição acelerada de equipamentos e treinamentos diários. O resultado: mais de 190 milhões de doses foram entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em tempo recorde.
De importação à autossuficiência: vacina 100% nacional em um ano
A primeira remessa com 2 milhões de doses prontas chegou em janeiro de 2021. Em fevereiro, Bio-Manguinhos passou a fazer o envase e controle de qualidade no Brasil. E em 2022, o Instituto iniciou a produção completa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), tornando a vacina 100% nacional.
“A gente já tinha capacidade instalada e histórico de transferências tecnológicas”, explica Rosane Cuber, diretora de Bio-Manguinhos. O preparo técnico e o acompanhamento da Anvisa garantiram um processo seguro e eficiente.
Legado além da covid: tratamento para AME e novas vacinas
Com a infraestrutura montada, a Fiocruz agora avança em frentes inovadoras. Uma das mais promissoras é o desenvolvimento de terapia para Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença rara cujo tratamento pode custar até R$ 7 milhões por paciente. Utilizando a mesma plataforma de vetor viral da vacina de Oxford, os cientistas de Bio-Manguinhos já têm autorização da Anvisa para iniciar os testes clínicos.
Outra frente é a produção nacional de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), como a usada pela Pfizer. Os testes em humanos começam ainda em 2026, fortalecendo a soberania científica do Brasil e reduzindo custos futuros ao SUS.
Brasil no mapa global de resposta a pandemias
O protagonismo conquistado durante a pandemia rendeu reconhecimento internacional. Bio-Manguinhos foi escolhido como um dos seis centros mundiais pela Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) e como hub regional da OMS para produtos com mRNA. Em futuras pandemias, o laboratório brasileiro será referência para toda a América Latina.
“Lucro para a sociedade”
“O nosso direcionamento não é o lucro, mas sim aquilo que é lucro para a sociedade”, resume Rosane Cuber. Bio-Manguinhos segue desenvolvendo soluções com foco na saúde pública, reforçando a autonomia nacional na produção de imunizantes e biofármacos.
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Fonte:
Agência Brasil