Carta do Cosud alerta para avanço de facções e pede financiamento estável para segurança pública
Em meio ao crescimento da criminalidade organizada no Brasil, os governadores das regiões Sul e Sudeste emitiram uma carta contundente neste sábado (6), durante a 14ª edição do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), no Rio de Janeiro. No documento, os chefes de Estado exigem uma atuação coordenada entre União e Estados e cobram a criação de políticas permanentes para frear a violência.
O encontro destacou a urgência de uma ação conjunta no combate às facções criminosas, que operam hoje em escala nacional e transnacional. Segundo os governadores, a falta de coordenação federal e a ausência de financiamento estável enfraquecem a eficácia das políticas estaduais e favorecem a consolidação do crime organizado.
Estados querem voz na PEC da Segurança e autonomia das polícias
Os líderes estaduais defenderam maior protagonismo no debate da PEC da Segurança, lembrando que são os próprios Estados que cuidam do policiamento, investigações, administração prisional e da custódia de presos. Outro ponto central da carta é a defesa pela autonomia das polícias estaduais e a criação de um modelo de compensação financeira pelas ações de segurança.
“Temos um problema grave: a polícia prende, mas as leis são brandas. Um criminoso pode estar solto em dois anos mesmo após cometer um assassinato”, declarou o governador do Paraná, Ratinho Junior, reforçando que o Cosud está à disposição do Congresso Nacional para colaborar com propostas.
Recursos das apostas e recuperação de bens do crime podem financiar segurança
O documento também propõe que parte dos recursos arrecadados com a taxação de apostas (bets) seja destinada ao financiamento da segurança pública. Os governadores criticam o atual modelo de destinação dos recursos recuperados de operações estaduais – hoje centralizados em fundo federal – e pedem que esses valores sejam redirecionados aos próprios Estados.
Tecnologia e integração de dados como pilares do combate ao crime
Os governadores firmaram o compromisso de aprimorar os sistemas de integração tecnológica entre os Estados, combatendo crimes como o roubo e furto de celulares por meio de redes de dados compartilhadas. A interoperabilidade de sistemas de identificação criminal também está entre as metas prioritárias.
Para apoiar esse avanço tecnológico, o Cosud propõe linhas de financiamento permanentes via BNDES, com foco em inteligência policial, georreferenciamento e digitalização de dados.
Outros temas em pauta: saúde, educação, meio ambiente e desenvolvimento
As sete Câmaras Temáticas do Cosud também discutiram propostas em outras áreas estratégicas:
- Saúde: Criação de um Comitê Executivo de Saúde para atuação conjunta e reivindicações unificadas ao Ministério da Saúde.
- Educação: Defendida a criação de fonte federal de financiamento para expansão da educação em tempo integral.
- Direitos Humanos: Enfrentamento à violência contra a mulher, com inclusão de homens no debate sobre respeito e igualdade.
- Desenvolvimento Econômico: Propostas para desburocratização e atração de investimentos, incluindo aprovação tácita automatizada.
- Governo e Gestão: Destaque para a transição energética e temas fiscais como a Reforma Tributária e dívidas estaduais.
Minas Gerais assume presidência do Cosud
Ao final do evento, o governador Romeu Zema, de Minas Gerais, foi eleito por unanimidade como novo presidente do Cosud, reforçando o compromisso da região com a articulação federativa e a modernização das políticas públicas.
União, tecnologia e firmeza: os três pilares do novo pacto pela segurança
A mensagem deixada pelo Cosud é clara: enfrentar o crime organizado exige não apenas repressão, mas também inteligência, tecnologia, financiamento contínuo e, acima de tudo, articulação política. Os governadores encerraram o encontro com a promessa de manter os esforços integrados e pressionar por mudanças estruturais, com o objetivo de garantir um Brasil mais seguro, mais justo e mais unido.
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Fonte: Carta oficial do COSUD