Documento estratégico foca em emprego, inclusão social, soberania digital e economia verde
A 6ª Reunião Plenária do Conselhão — o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) — entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (4), um documento com metas estratégicas para o futuro do Brasil. Reunindo governo, empresários e sociedade civil, o evento destacou propostas que visam transformar o país em uma década, com ações imediatas previstas para os próximos cinco anos.
O relatório, intitulado “Pilares de um Projeto de Nação”, nasceu da Estratégia Brasil 2050, coordenada pelo Ministério do Planejamento. As discussões nas comissões temáticas envolveram temas como envelhecimento populacional, impactos das novas tecnologias, empregabilidade no interior, soberania digital e redução das desigualdades.
Propostas concretas para um Brasil mais justo
Segundo o secretário-executivo do Conselhão, Olavo Noleto, os debates trouxeram visões plurais para um projeto de país sustentável. “Aqui estão os diferentes. E essa diversidade é nossa maior riqueza. Num Brasil onde as diferenças muitas vezes geram conflitos, mostramos que é possível construir consensos”, afirmou.
Entre os destaques do encontro, a empresária Luiza Trajano celebrou a queda histórica da taxa de desemprego (5,4%) e cobrou redução dos juros. Ela também propôs uma mobilização nacional contra a violência contra a mulher.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou tom otimista ao apresentar dados de melhora econômica e social. “Saímos do Mapa da Fome. Reduzimos a desigualdade de renda. Não precisamos de uma serra elétrica para ajustes, mas de uma chave de fenda. Com diálogo, seguimos prosperando”, comparou, em alusão à política fiscal da Argentina.
Foco na inclusão, inovação e meio ambiente
A cientista de dados Nina da Hora defendeu o investimento em tecnologias nacionais para garantir a soberania digital. “Não se trata de isolamento, mas de fortalecer o Brasil com soluções próprias”, explicou.
A vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Mônica Veloso, destacou o impacto da nova faixa de isenção do Imposto de Renda. “É como um 14º salário para muitos trabalhadores”, afirmou, ao cobrar mais atenção aos aposentados e o fim da jornada 6×1.
Preto Zezé, da CUFA, alertou para o abandono das periferias: “A economia das favelas movimenta R$ 312 bilhões por ano. Mas o Estado precisa se aproximar sem atrapalhar”.
Também presente, o ativista Ivan Baron pediu que pessoas com deficiência sejam incluídas de forma efetiva no orçamento público. “Queremos proteger o BPC e barrar cortes que afetam diretamente esse grupo”, declarou.
Entrega de projetos e agendas prioritárias
Durante a plenária, o Conselhão entregou a Lula documentos como:
- Projeto Move Mundo – com propostas da comunidade científica da Amazônia para a COP30.
- Agenda Positiva do Agro 2025 – com práticas sustentáveis e inovação para o campo.
- Portfólio de Investimentos para Transformação Ecológica – organizado pelo Ministério da Fazenda, reúne projetos com impacto ambiental positivo, focando em bioeconomia, energia renovável e soluções baseadas na natureza.
Um espaço de diálogo e escuta ativa
Composto por 289 conselheiros, o CDESS foi criado em 2003, extinto em 2019 e reativado em 2023. O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou a importância da escuta democrática. “As políticas públicas só são efetivas quando nascem do diálogo com a sociedade”, reforçou.
O Conselhão se consolida como ponte estratégica entre o governo e a sociedade, contribuindo com propostas amplas que visam reduzir desigualdades, impulsionar a economia e garantir um futuro sustentável para o Brasil.
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Fonte: Agência Brasil – Publicado em 04/12/2025