Doença afeta até 12% das mulheres brasileiras e pode causar dor, inchaço e deformações progressivas
Você sente as pernas constantemente inchadas, doloridas e com um aspecto desigual, mesmo após dieta e exercícios? Isso pode ser lipedema — uma doença crônica, progressiva e frequentemente confundida com sobrepeso. Embora ainda pouco diagnosticada, ela atinge até 12% das mulheres no Brasil, segundo especialistas.
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas, coxas, glúteos e braços. A condição costuma surgir na adolescência, mas os sintomas são sutis e geralmente ignorados. Como aconteceu com a professora Kallyne Kafuri, que só reconheceu o problema após ouvir o relato de uma aluna com a mesma condição. “Era exatamente o que eu sentia. Foi quando minha ficha caiu”, lembra.
Além do desconforto físico, o lipedema pode gerar frustração: enquanto o rosto e a cintura emagrecem com dieta, as pernas permanecem volumosas. Há também um aumento na tendência a hematomas, varizes e até desgaste nas articulações, segundo o cirurgião vascular Vitor Gornati. “É uma doença que acomete o tecido conjuntivo, dificultando o ganho de massa muscular e favorecendo problemas ortopédicos como artrose”, alerta.
Com forte componente genético e influência hormonal (estrogênio), o lipedema é quase exclusivo de mulheres. “Em 99% dos casos, acomete mulheres, e muitas vezes identificamos o mesmo padrão corporal em mães e avós das pacientes”, completa o especialista.
Embora ainda não exista cura, o controle é possível com hábitos saudáveis: alimentação anti-inflamatória, exercícios físicos adaptados, drenagem linfática e terapias manuais. Casos mais graves podem ser tratados com lipoaspiração especializada.
Após iniciar o tratamento, Kallyne relata alívio nos sintomas e perda de medidas. “Se eu saio da dieta ou deixo de me exercitar, posso inchar até 2 kg de um dia para o outro”, afirma. Ela também destaca o impacto emocional: “Muitas mulheres não buscam ajuda por vergonha, acham que o corpo delas é culpa da preguiça. Isso tem nome, é lipedema”.
O estigma ainda é um obstáculo. O desconhecimento — inclusive entre profissionais de saúde — leva pacientes a sofrer por anos sem diagnóstico. “Tenho pacientes que choram no consultório por finalmente entenderem o que têm. Não é descuido, é uma doença real”, reforça Gornati.
Fique atenta aos principais sinais do lipedema:
- Inchaço persistente nas pernas, glúteos ou braços;
- Dor e sensibilidade ao toque;
- Pele com aparência de “casca de laranja”;
- Dificuldade em perder gordura localizada nas pernas;
- Facilidade para hematomas e varizes.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamento. Ao notar os sintomas, procure um especialista em angiologia ou cirurgia vascular.
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Fonte: Agência Brasil (reportagem de Tâmara Freire)
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