Goura critica proposta de privatização do MIS-PR e alerta para riscos jurídicos e culturais

Deputado do PDT denuncia falhas na proposta de PPP do Governo do Paraná para restauração e concessão do Museu da Imagem e do Som

O deputado estadual Goura (PDT) criticou duramente o projeto de Parceria Público-Privada (PPP) apresentado pelo Governo do Paraná para restauração, operação e exploração econômica do Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) e outros dois prédios históricos em Curitiba. A proposta prevê concessão por 30 anos e tem gerado polêmica entre especialistas, ativistas culturais e representantes políticos.

Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (11), Goura classificou o modelo como uma “bomba-relógio jurídica, contábil e institucional”, alertando que o projeto ignora princípios básicos das políticas públicas culturais. “Uma PPP para museus deve priorizar técnica, conservação, valor histórico e impacto social”, afirmou.

A consulta pública sobre o projeto segue aberta até o dia 17 de junho e está sob responsabilidade da Secretaria de Planejamento (SEPL) e da empresa Paraná Parcerias, com apoio da Secretaria da Cultura (SEEC) e da Administração e Previdência (SEAP). Goura destacou que os prazos apertados comprometem a participação da sociedade e a transparência do processo.

Análise técnica do mandato denuncia série de irregularidades

Para embasar sua crítica, o parlamentar protocolou um documento técnico junto ao edital da consulta pública, apontando falhas estruturais e riscos institucionais. Entre os principais pontos destacados estão:

  • Critério de licitação inadequado: o uso do modelo “maior desconto” é considerado incompatível com a complexidade do projeto, que exige avaliação técnica e cultural.
  • Matriz de risco desequilibrada: a proposta transfere riscos indevidamente à concessionária, como passivos ambientais e falhas de planejamento do poder público.
  • Distorção contratual: o estudo considera apenas o CAPEX (R$ 178 milhões), omitindo o OPEX (R$ 203 milhões), o que pode comprometer a exigência de capacidade financeira.
  • Estudos econômicos frágeis: foram utilizados parâmetros desconexos com a realidade museológica, como comparação com arenas esportivas.
  • Falta de indicadores culturais: não há métricas de visitação, uso educativo ou impacto social.
  • Riscos ao patrimônio tombado: o projeto prevê novas construções sem laudos técnicos, colocando o acervo e a estrutura em risco.
  • Ausência de plano para o acervo: não há diretrizes sobre a guarda e segurança do acervo durante as obras.
  • Exploração publicitária sem regras: a proposta permite publicidade comercial sem limite, o que pode comprometer a identidade do MIS.
  • Cessão sem estudo urbanístico: terrenos históricos seriam repassados à iniciativa privada sem análise de impacto urbano ou cultural.
  • Desrespeito a políticas culturais: o projeto ignora diretrizes do Plano Nacional de Cultura e da Política Estadual de Museus.

Goura defende modelo mais técnico e transparente

Para o deputado, a proposta representa uma ameaça à memória cultural do Paraná. “O projeto poderia ser tecnicamente mais robusto e politicamente estratégico. Do jeito que está, é mais um caso de privatização disfarçada de revitalização”, declarou. Ele defende maior controle social, transparência no processo e a garantia de que o acesso à cultura continue gratuito e democrático.

A íntegra da análise técnica protocolada está disponível para consulta pública. A audiência segue até o dia 17 de junho e os cidadãos podem participar com sugestões pelo portal oficial do Governo do Estado.

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Fonte: Assessoria Parlamentar / Mandato Goura