Greve de fome de Glauber Braga mobiliza apoios e pressiona Câmara

Deputado do Psol completa oito dias em protesto e diz estar “firme na luta”, mesmo após perder mais de quatro quilos

A greve de fome do deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) completa oito dias nesta quarta-feira (16), com o parlamentar acampado no plenário da Câmara dos Deputados. O protesto, iniciado após o Conselho de Ética recomendar a cassação de seu mandato, já mobilizou ministros, deputados, artistas, lideranças populares e mais de 154 mil assinaturas em abaixo-assinado online.

Mesmo debilitado e sem se alimentar há mais de 180 horas, Glauber mantém a decisão. “Senti o abalo emocional, dormi pouco, mas me sinto forte novamente. Não vou desistir”, disse ele em nota. O deputado segue em silêncio com a imprensa para preservar energias, limitando-se a ingerir bebidas isotônicas e a realizar banhos de sol e consultas médicas diárias.

Segundo o médico Antônio Alves, que acompanha o caso, Glauber teve dores de cabeça leves e mal-estar gastrointestinal, além de dores nas costas, mas seu estado geral ainda não inspira medidas clínicas urgentes. Até o momento, já perdeu mais de quatro quilos.

Protesto como resposta à cassação

Glauber é acusado de quebra de decoro por ter reagido a ofensas pessoais nos corredores da Câmara, quando um militante de extrema-direita teria insultado sua mãe — que estava doente e faleceu semanas depois. A recomendação de cassação do Conselho de Ética é considerada desproporcional por apoiadores, que apontam perseguição política devido às denúncias feitas por Glauber sobre o chamado “orçamento secreto”.

O deputado João Leão (PP-BA), que votou pela cassação, afirmou que a postura de Glauber no Conselho de Ética teria sido determinante. “Ele chamou o relator e o ex-presidente da Câmara de ladrões. Não tem condições de continuar porque não respeita os pares”, disse.

PSOL estuda estratégia jurídica

A defesa do parlamentar ainda avalia como recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Sâmia Bomfim (Psol-SP), deputada e esposa de Glauber, afirmou que o partido estuda a viabilidade de uma peça jurídica robusta, que pode inclusive ser levada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estamos buscando apoio político. A decisão depende de articulação com o centrão e outros partidos. Podemos entrar com uma peça mais enxuta ou mais completa, conforme os acordos construídos”, explicou Sâmia.

Com o recesso informal devido ao feriado prolongado e à ausência de sessões presenciais, a visibilidade do protesto ganha força com o apoio popular e a presença constante de lideranças no acampamento dentro da Câmara.

Vigília e manifestações de apoio

Desde terça-feira (15), uma vigília popular foi montada em frente à Câmara em apoio a Glauber e contra o PL da Anistia. A aposentada Laura Lima, da Rede Lular, defendeu a permanência da mobilização enquanto durar o processo. “É uma demonstração contra a perseguição política que ele sofre por enfrentar a extrema direita”, afirmou.

Além de parlamentares da esquerda, Glauber tem recebido solidariedade até de deputados de partidos como PL, PP e PSD. Artistas como Chico Buarque e líderes religiosos do Coletivo Emaús, incluindo Frei Betto e Leonardo Boff, também declararam apoio ao parlamentar.

Entre os nomes do governo federal, sete ministros já visitaram Glauber no plenário, incluindo Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secom), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).

A mobilização também tem contado com atos simbólicos. Na segunda-feira (14), um grupo promoveu um samba em apoio a Glauber dentro da Câmara dos Deputados.

A situação segue sem definição, mas o protesto ganhou dimensão nacional e pressiona a Câmara a reavaliar o processo.

Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León)