
Professor Marcos José Valle analisa medidas do Governo para estabilizar preços e reforçar a segurança alimentar no Brasil
O avanço da inflação no Brasil, especialmente sobre os alimentos da cesta básica, tem impactado diretamente a vida dos brasileiros. Produtos como carne, café e ovos registraram aumentos expressivos nos últimos meses, motivados principalmente pela valorização do dólar e pelo crescimento das exportações. Segundo o professor Marcos José Valle, doutor em Sociologia e bacharel em Ciências Econômicas, essas variações não se explicam apenas pela demanda interna, mas refletem desequilíbrios estruturais e falhas do mercado que precisam de correção com políticas públicas eficazes.
Entre as medidas adotadas, o Governo Federal anunciou a isenção de impostos de importação para itens essenciais, como carne, café, milho e azeite de oliva. Embora paliativa, a proposta busca ampliar a oferta e conter os preços. “Trata-se de uma ação emergencial que, embora relevante, apresenta efeitos de curto prazo”, destaca o professor Marcos Valle, que também leciona nos cursos de gestão, comunicação e negócios do Centro Universitário Internacional Uninter.
Para ele, o controle da inflação exige mais do que incentivos fiscais. É necessário que o Estado atue de maneira ativa na regulação do mercado, especialmente com mecanismos capazes de equilibrar oferta e demanda. Nesse sentido, a reativação da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), em 2025, representa um passo estratégico. A estatal havia sido enfraquecida em 2019, com o fechamento de 27 armazéns, priorizando o agronegócio voltado à exportação, em detrimento da agricultura familiar e do abastecimento interno.
Com investimento previsto de R$ 539 milhões, a CONAB retorna com a missão de recompor os estoques reguladores, estabilizar preços e ampliar o acesso dos produtores ao crédito subsidiado. De acordo com o professor Valle, a reestruturação da CONAB é essencial para garantir a segurança alimentar do país: “A função da CONAB vai além da logística. Ela atua como um amortecedor contra a volatilidade dos preços e fortalece a soberania alimentar nacional.”
Ele reforça que a inflação, embora seja um fenômeno de mercado, atinge diretamente o interesse público. Por isso, não pode ser combatida apenas com expectativas econômicas ou confiança no equilíbrio espontâneo dos agentes privados. “O mercado age com base em interesses imediatos, buscando o lucro. Cabe ao Estado intervir quando o interesse coletivo está em risco”, analisa Valle.
Nesse contexto, o papel da CONAB se mostra vital. Sua atuação contribui para que o acesso a alimentos essenciais não dependa apenas da dinâmica de mercado global. “Sem uma estrutura reguladora forte, os preços dos alimentos ficarão sujeitos à especulação e à lógica de exportação, o que pode comprometer o abastecimento interno e acentuar desigualdades”, alerta o professor.
A expectativa, segundo Marcos José Valle, é que a retomada da CONAB e a adoção de medidas fiscais estratégicas ajudem o Brasil a enfrentar a pressão inflacionária com mais solidez. Para ele, o país só avançará na estabilidade econômica e no combate à fome quando políticas públicas forem estruturadas de forma a considerar a complexidade das dinâmicas econômicas e sociais.
Fonte: Marcos José Valle, bacharel em Ciências Econômicas, doutor em Sociologia e professor dos cursos de gestão, comunicação e negócios do Centro Universitário Internacional Uninter.
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