Não estou falando da dor física que pode decorrer em virtude de alguma
doença naquele órgão que rege nossa vida. Estou falando quando a alma dói e você não sabe
o porquê e nem de onde vem aquela dor. Não culpe ninguém pela dor, pois ela é só sua, tão
somente. O ser humano não consegue dividir a sua mágoa na mesma proporção que a sente.
O outro não entra em seu íntimo para descobrir detalhes e nunca será capaz disto. O homem
sempre tem a tendência de olhar para si mesmo e se achar o centro das atenções e do
universo. Não tem humildade para sentir a dor do outro na mesma proporção. Mesmo porque
se tivesse teríamos uma humanidade entediada e tristonha.
E assim seguem os dias, segue a vida, segue o caminho que percorremos.
Não escolhemos este caminho de dor, mas a vida é astuciosa e o compromete sempre quando
você não quer. Nestes momentos, ficar sozinho consigo mesmo pode ser uma solução. A dor
ameniza, mas não passa, ela sempre está no nosso caminho. Pode ser a dor pela perda de um
amigo, de um familiar, de uma pessoa que você amava, o medo de perder alguém, e, sempre,
sempre ela vai continuar doendo… Mas, sempre na medida em que você permitir.
Porém, diante da dor se abre um caminho que somente você tem a
capacidade de escolher. Sem ajuda ou com ajuda este corredor de passagem se abre e você
entra se quiser. Pode ter gerânios coloridos, pode ter um verde abundante, mas pode este
verde ter espinhos. Aliás, todo o caminho que formos percorrer, seja por qual hemisfério, terá
espinhos. A sabedoria está em não tocá-los, porque ferem, sangram o corpo e a alma.
Uma solução existe para aqueles que acreditam em Deus recolhido no
Santíssimo Sacramento. Entre lá naquela sala de silêncio e humildemente, se entregue a Ele e
junto entregue sua dor. Fique lá meditando o tempo que quiser e o período que necessitar.
Devagar a dor da alma vai se afastando e a plenitude do silêncio vai ser o conforto e seu
amparo. E o silêncio é um milagre de Deus. Pode-se mergulhar no silêncio e se abster de ouvir
qualquer ruído, entregar-se, profundamente, mergulhar na plenitude de Deus e deixar-se
ficar. Como se navegasse em águas cristalinas e tranquilas vai deixando os episódios que o
enfraqueceram se dispersarem na mão Daquele que tudo sabe e consegue lhe dar o pleno
conforto. A mão de Deus é macia e confortável, e ela desliza em sua cabeça e penetra no
coração e o coração para de doer. Acredite!
Izaura Aparecida Tomaroli Varella
Advogada, Professora
Acadêmica da cadeira 1 da Academia de Letras de Cianorte