E o ano de 2.024 vai encerrando seu ciclo e ainda bem que ele nos deixa
um Natal com um Menino recém-nascido. E já abre a cortina de um novo ano: 2.025.
Ontem mesmo eu escrevia cartas desejando um Feliz Natal aos meus
amigos, mandava um cartão com a figura de um Papai Noel e da Sagrada Família.
Hoje as livrarias sequer tem cartão de Natal para vender. A modernidade tomou
conta de tudo e foi nos tomando aquilo que era essencial, amar os outros de perto.
Não que seja contra qualquer evolução da mídia, afinal ela veio para ficar e trocar
nossos destinos, mas, não precisava vir tão rápido assim. Passados menos de meio
século, os meus netos sequer podem imaginar que a vovozinha deles nunca
conheceu um celular. Um rádio ligado já era um luxo, nem todos tinham. Bem me
lembro que meus avós se reuniam numa sala com os filhos e netos para ouvir o
Repórter Esso, mas, as notícias não eram recentes. A comunicação era devagar e só
ficamos sabendo que a Segunda Guerra Mundial havia terminado quase dois meses
depois. Hoje uma bomba cai na Ucrânia e já temos a informação de onde veio,
quantos morreram e quem foi o autor da tragédia.
Um ano finaliza e todas as dores vão junto… Jamais podemos deixar que as
mágoas venham se encostar em nós no ano novo. O que passou que fique para trás.
Podemos sentir até novos desencantos, mas, os que passaram devem ser trancados a
quatro chaves no túnel do tempo.
O amor que foi embora também acaba para sempre, não retorna. Se o
amor acabou não há razão de retorno. As pessoas que nos amaram tanto na vida que
também se vão pela tragédia do destino, também não voltam. O reencontro ainda
não foi marcado e nem sei se virá de fato. Mas tem que ter fé para continuar vivendo
o dia de hoje, que amanhã será o dia de ontem, que passa e não volta… Não tem
como retomar o que se foi, as lembranças morrem, as amizades se desfazem, os
filhos crescem e não são mais os mesmos dependentes de carinho e amor como
eram na infância…
Mas, ai de nós se o tempo não passasse, a renovação sempre é bem-vinda,
para que nossos sonhos não se desintegrem no abismo do passado. Viver no abismo
não é confortável, há culpa, arrependimento e tristeza. E o hoje vem cheio de
esperança, colorido de verde. Vou receber o meu hoje e o meu amanhã de braços
abertos e se a infelicidade vier se encostar em mim, vou com certeza, deixar que ela
viva no ontem.
Izaura Varella
Cadeira Número 1 – Academia de Letras de Cianorte