O Trigo é Realmente o Vilão? Descubra a Verdade Sobre o Glúten

Entenda se o trigo merece a fama de prejudicial ou se é essencial para a saúde. Confira os mitos e verdades sobre o glúten e sua relação com dietas.

O pãozinho no café da manhã e a cerveja do fim de semana fazem parte da rotina de muitos brasileiros. Contudo, nos últimos anos, o glúten – uma proteína presente no trigo – passou a ser evitado em diversas dietas. Mas será que o trigo é realmente o vilão das refeições ou está sendo injustamente acusado?

O trigo: um alimento milenar e nutritivo

Há milhares de anos, o trigo é uma das principais fontes de energia para a humanidade. Rico em carboidratos, fibras, vitaminas do complexo B e minerais, ele compõe dietas consagradas, como a mediterrânea. Segundo o nutrólogo Dr. Ronan Araujo, o problema não está no trigo em si, mas na forma como ele é processado e consumido atualmente.

A farinha integral, por exemplo, preserva partes essenciais do grão – como a casca e o gérmen – que são ricas em nutrientes e fibras. Já a farinha refinada, muito utilizada em produtos industrializados, perde esses componentes, tornando-se menos nutritiva.

Glúten: indispensável para alguns, problemático para poucos

O glúten, formado pelas proteínas gliadina e glutenina, é responsável por dar elasticidade às massas, garantindo a textura e o crescimento do pão. Apesar de ser valorizado na panificação, algumas pessoas enfrentam problemas relacionados ao consumo dessa proteína:

  • Doença celíaca: Uma condição autoimune que afeta 1% da população. Pessoas com essa doença precisam evitar totalmente o glúten.
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca: Uma reação mais leve, mas que causa desconfortos como gases e dores abdominais.
  • Alergia ao trigo: Reação alérgica às proteínas do trigo, incluindo o glúten, com sintomas que variam de urticária a dificuldades respiratórias.

Para a maioria da população, porém, o glúten não traz prejuízos. Especialistas afirmam que a ideia de que o glúten causa inflamações em pessoas saudáveis não é respaldada por estudos científicos.

O mito do trigo “modificado”

Alguns acreditam que o trigo moderno contém mais glúten do que no passado devido a modificações genéticas. No entanto, isso é um equívoco. As alterações realizadas no trigo visam melhorar sua adaptação ao clima e sua performance na panificação, mas não aumentaram a quantidade de glúten.

Industrializados: o verdadeiro problema

Muitos dos desconfortos atribuídos ao glúten podem estar ligados a aditivos presentes em produtos industrializados. Pães e bolos comerciais frequentemente contêm conservantes, açúcares e outros ingredientes que dificultam a digestão. Uma alternativa saudável é o pão de fermentação natural, feito com poucos ingredientes e mais fácil de digerir, já que as enzimas do fermento ajudam a “pré-digerir” o glúten.

Quando o glúten deve ser evitado?

A retirada do glúten só é necessária para quem possui intolerâncias diagnosticadas. Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de trigo, especialmente em sua versão integral e com menos processados, pode ser parte de uma dieta saudável.

Conforme destaca o Dr. Ronan Araujo, cortar o glúten sem necessidade pode ser prejudicial, já que produtos sem glúten costumam ter menos fibras e mais calorias, o que pode impactar o peso e a saciedade.

Consuma com consciência

O trigo não precisa ser demonizado. Escolher alimentos mais naturais, como pães de fermentação natural e massas integrais, é uma forma equilibrada de aproveitar os benefícios desse alimento milenar.

“Se houver desconfortos digestivos, observe os produtos consumidos e opte por opções mais naturais. O trigo, especialmente em sua forma integral, é um aliado da saúde quando consumido com moderação e equilíbrio”, conclui o Dr. Ronan Araujo.


Fonte: Dr. Ronan Araujo, especialista em nutrologia (CRM – 197142).