Produção de veículos sobe 7,1% em 2026, diz Anfavea

Setor automotivo acelera com alta nas vendas de carros, avanço dos eletrificados e importações em forte crescimento; caminhões e ônibus ainda registram queda.

A produção de veículos no Brasil voltou a ganhar ritmo e acendeu um sinal positivo para o setor automotivo. Entre janeiro e maio de 2026, as montadoras fabricaram 1,1 milhão de unidades, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea.

Somente em maio, foram produzidos 253,5 mil veículos. O resultado representa crescimento de 15,2% na comparação com maio de 2025 e foi o melhor desempenho para o mês desde 2019.

Vendas de automóveis puxam crescimento

O avanço da produção foi impulsionado principalmente pelas vendas de automóveis, que cresceram 21,5%. De acordo com a análise da Anfavea, o desempenho dos carros de entrada, favorecidos pelo programa Carro Sustentável, ajudou a sustentar o ritmo positivo.

Os comerciais leves, como picapes, vans e furgões, também registraram alta de 7,7%. Por outro lado, caminhões e ônibus seguem em queda, com recuos de 15,1% e 16,3%, respectivamente.

A entidade avalia que o segmento de pesados pode reagir com os subsídios previstos no programa Move Brasil 2. Ainda assim, o cenário exige atenção, principalmente por causa dos custos de produção.

Emplacamentos passam de 1 milhão no ano

As vendas acompanharam o bom momento da produção. Em maio, foram emplacados 274,7 mil veículos, alta de 21,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O mês também registrou a melhor média diária de vendas desde dezembro de 2014, com 13,7 mil autoveículos vendidos por dia. No acumulado do ano, os emplacamentos chegaram a 1,148 milhão de unidades, crescimento de 16,4%.

Com isso, o setor ultrapassou a marca simbólica de 1 milhão de veículos vendidos um mês antes do registrado em 2025.

Eletrificados ganham espaço no mercado brasileiro

Os veículos eletrificados tiveram participação importante no resultado positivo. O segmento, que inclui elétricos, híbridos e híbridos plug-in, passou de 10,6% do mercado em junho de 2025 para 19,5% em maio de 2026.

O mês foi o melhor da série para os elétricos puros, com 21 mil unidades vendidas. Já os modelos híbridos somaram 30,7 mil unidades comercializadas.

Exportações caem e China lidera importações

Apesar do avanço interno, as exportações brasileiras de veículos registraram queda em 2026, especialmente para países da América do Sul. A Argentina segue como principal destino, com 89,6 mil unidades compradas, mas o volume representa recuo de 33,3%.

As vendas para o México somaram 31,6 mil unidades, queda de 0,5%. Já a Colômbia comprou 17,7 mil veículos, alta de 14,5%. Também houve retração nas exportações para Chile e Uruguai.

No sentido contrário, as importações cresceram. A China passou a ser o principal fornecedor de veículos para o Brasil, com 108,4 mil unidades importadas entre janeiro e maio, alta de 86,6%.

Combustíveis preocupam o setor

A Anfavea também alertou para o impacto dos preços globais dos combustíveis. Segundo a entidade, a alta aumenta os custos de produção e pode chegar ao consumidor final, pressionando a inflação.

Esse movimento também pode influenciar o ritmo de queda dos juros pelo Banco Central, já que combustíveis mais caros afetam vários pontos da cadeia econômica.

Com produção e vendas em alta, o setor automotivo brasileiro chega ao meio de 2026 com sinais de recuperação, mas ainda enfrenta desafios importantes nas exportações, nos veículos pesados e nos custos de produção.

Fonte: Agência Brasil.