Gasolina cai 1,46% em maio com etanol mais barato

Concorrência com o etanol e subvenção do governo ajudaram a reduzir o preço da gasolina nos postos, segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE

A gasolina ficou mais barata em maio e foi o item que mais ajudou a aliviar a inflação oficial do país. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o combustível recuou 1,46% no mês.

O resultado teve impacto de -0,08 ponto percentual no IPCA de maio, que fechou em 0,58%. A queda interrompeu dois meses seguidos de alta no preço da gasolina, influenciados pela instabilidade no mercado internacional do petróleo.

Etanol mais barato pressiona gasolina

De acordo com o analista do IBGE Fernando Gonçalves, a queda do etanol foi um dos principais fatores para a redução da gasolina. Em maio, o etanol ficou 6,2% mais barato e foi o segundo item que mais puxou a inflação para baixo.

Gonçalves explica que houve maior disponibilidade do produto no mercado. Com a produção de etanol mais rentável, parte maior da safra de cana-de-açúcar foi direcionada ao combustível, em vez do açúcar.

Com mais oferta, o preço do etanol caiu. Como boa parte da frota brasileira é flex, o consumidor pode escolher entre abastecer com etanol ou gasolina, o que aumenta a concorrência entre os combustíveis.

“Com etanol mais barato, a gasolina, por concorrência, acaba também reduzindo o preço”, afirmou o analista do IBGE à Agência Brasil.

Subvenção ajudou a segurar os preços

Outro fator que contribuiu para a queda da gasolina foi a política de subvenção adotada pelo governo federal. A medida funciona como uma espécie de reembolso a produtores e importadores de combustíveis.

Segundo a Agência Brasil, a subvenção estava em R$ 0,44 por litro. Na prática, o governo paga esse valor aos agentes do mercado com o objetivo de reduzir o repasse de aumentos ao consumidor final.

A política ajudou a diminuir o impacto de reajustes no setor. Mesmo após aumento recente anunciado pela Petrobras, de R$ 0,48, apenas R$ 0,04 teriam sido repassados ao consumidor, conforme as informações divulgadas.

Diesel também teve queda em maio

O óleo diesel, usado principalmente por caminhões e ônibus, também registrou queda no mês. O IBGE apurou recuo de 2,34% em maio, tornando o diesel o quarto item com maior contribuição para reduzir a inflação.

Antes disso, o combustível havia subido 13,9% em março e 4,46% em abril. A subvenção ao diesel chegou a R$ 1,52 por litro para importadores e R$ 1,12 para produtores em maio.

Transportes caem, mas alimentos ainda pesam

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, o grupo transportes foi o único com deflação em maio. A queda foi de 0,46%, puxada principalmente pelos combustíveis.

Apesar disso, o frete ainda influenciou o preço dos alimentos. O grupo alimentação subiu 1,33% e foi o maior impacto de alta no IPCA de maio, com 0,29 ponto percentual.

“O frete caiu, mas ainda está onerando o preço dos alimentos”, disse Fernando Gonçalves.

Petróleo internacional segue no radar

A alta recente dos combustíveis foi associada à instabilidade no mercado internacional do petróleo. Segundo a Agência Brasil, o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetou a cadeia global de produção e transporte.

O fechamento do Estreito de Ormuz, rota importante para o petróleo e gás natural, reduziu a oferta internacional e pressionou os preços. O barril do Brent, referência global, passou de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos próximos de US$ 120.

Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil também sente os efeitos das oscilações internacionais. No caso do diesel, o impacto é maior porque o país precisa importar cerca de 30% do que consome.

Fonte: Agência Brasil.