Escalada do conflito no Oriente Médio pressiona a oferta global, fecha rotas estratégicas e reacende temor de barril acima de US$ 100
O mercado de petróleo voltou a operar sob forte tensão nesta sexta-feira, 6 de março de 2026. Em meio à ampliação da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos dispararam mais de 12%, refletindo o aperto na oferta global e o impacto direto sobre o transporte de energia no Oriente Médio.
O barril do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) fechou cotado a US$ 90,90, com alta de US$ 9,89, o equivalente a 12,21%. Já o Brent, referência internacional, encerrou o dia a US$ 92,69 por barril, avançando US$ 7,28, ou 8,52%.
Oferta pressionada e corrida por barris alternativos
Segundo analistas do mercado, a disparada do WTI foi impulsionada pela busca urgente por barris disponíveis fora do Oriente Médio. Com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de petróleo, compradores passaram a mirar a produção americana como alternativa imediata.
“Os refinadores e as casas comerciais estão buscando barris alternativos, e os EUA são o maior produtor”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS. Ele acrescentou que o movimento também reflete a tentativa de evitar uma redução acelerada dos estoques americanos por causa do aumento das exportações.
Janiv Shah, vice-presidente de análise de petróleo da Rystad Energy, disse que a diferença entre os ganhos do WTI e do Brent nos últimos dois dias está ligada à força das refinarias da Costa do Golfo dos EUA, às margens mais atrativas e às oportunidades de arbitragem para a Europa.
Estreito de Ormuz amplia temor no mercado
O petróleo registrou nesta semana seu maior avanço desde a volatilidade extrema da pandemia de covid-19, em 2020. O principal fator por trás da alta é a paralisação do tráfego marítimo e das exportações de energia pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens mais estratégicas do planeta.
A hidrovia responde normalmente por cerca de 20% da demanda mundial de petróleo transportada diariamente. Com sete dias de bloqueio efetivo, cerca de 140 milhões de barris deixaram de chegar ao mercado, volume equivalente a aproximadamente 1,4 dia da demanda global.
Além do impacto logístico, o conflito também atingiu áreas centrais de produção energética no Oriente Médio, interrompendo operações, fechando refinarias e afetando usinas de gás natural liquefeito.
Barril pode chegar a US$ 150
A crise elevou ainda mais o alerta após declarações do ministro de Energia do Catar ao jornal Financial Times. Segundo entrevista publicada nesta sexta-feira, ele acredita que produtores do Golfo Pérsico poderão suspender exportações nas próximas semanas, cenário que poderia empurrar o petróleo para US$ 150 por barril.
Para John Kilduff, sócio da Again Capital, o mercado já começa a precificar um cenário extremo. “O pior cenário possível está se desenvolvendo diante de nossos olhos”, afirmou. Na avaliação dele, as projeções que apontavam o barril acima de US$ 100 estão muito perto de se confirmar.
Entenda o impacto da guerra no petróleo
A escalada começou após ataques lançados por EUA e Israel contra o Irã no último sábado. Desde então, Teerã interrompeu a passagem de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, agravando o risco de desabastecimento e pressionando os preços da commodity.
Com menos petróleo disponível no mercado internacional e aumento da insegurança geopolítica, investidores, refinarias e tradings intensificaram a disputa por carga imediata, especialmente nos Estados Unidos.
O movimento acende um novo sinal de alerta para a economia global, já que a alta do petróleo costuma pressionar combustíveis, fretes, energia e inflação em vários países.
O que observar nos próximos dias
O mercado agora acompanha três fatores centrais: a duração do bloqueio no Estreito de Ormuz, a possibilidade de novos cortes ou paralisações de exportação no Golfo Pérsico e a reação dos grandes produtores diante da escalada militar.
Caso o conflito continue avançando, o petróleo pode romper a barreira de US$ 100 por barril nos próximos pregões, com efeitos diretos sobre os mercados globais e sobre o custo de vida.
Fonte: Reuters.