Mercado financeiro reage à tensão no Oriente Médio, enquanto petróleo dispara e ações da Petrobras avançam na contramão do Ibovespa
O dólar encerrou a sexta-feira (6) em queda, cotado a R$ 5,244, depois de voltar a oscilar fortemente ao longo do dia. Mesmo com o recuo de 0,81% no fechamento, a moeda norte-americana acumulou alta de 2,08% na primeira semana de março.
A movimentação do câmbio refletiu um dia de correção no mercado, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e a novos dados de desaceleração da economia dos Estados Unidos. Pela manhã, a divisa chegou a superar R$ 5,30, mas perdeu força ao longo da tarde, com investidores aproveitando o valor mais alto para vender moeda.
Bolsa recua de novo e amarga pior semana em quase quatro anos
Na Bolsa de Valores, o clima seguiu negativo. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 179.365 pontos, com queda de 0,61% nesta sexta-feira.
No acumulado da semana, o índice recuou 4,99%, registrando o pior desempenho semanal desde junho de 2022. O mercado acionário foi pressionado pela aversão global ao risco, em um cenário de incerteza geopolítica e preocupação com o ritmo da economia internacional.
Petrobras sobe com avanço do petróleo
As ações da Petrobras ficaram entre os poucos destaques positivos do pregão. Os papéis ordinários da estatal subiram 4,12%, fechando a R$ 45,78, enquanto as ações preferenciais avançaram 3,49%, para R$ 42,11.
A valorização foi impulsionada pela forte alta do petróleo no mercado internacional e também pelo crescimento de quase 200% no lucro da companhia no ano passado.
Petróleo ultrapassa US$ 90 e acumula alta de quase 30% em março
O petróleo voltou a disparar nesta sexta-feira, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O cenário elevou a preocupação dos investidores com a oferta global da commodity.
O barril do tipo Brent, usado como referência nas negociações internacionais, subiu 8,52% e fechou a US$ 92,69. Já o WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 12,2% no dia, encerrando a US$ 90,90.
Desde o início da guerra, o petróleo já acumula alta próxima de 30% em março, o que amplia a pressão sobre mercados e economias ao redor do mundo.
Dados fracos nos EUA também mexeram com o câmbio
Outro fator que influenciou o mercado foi a divulgação de dados do emprego nos Estados Unidos. O fechamento de 92 mil postos de trabalho em fevereiro veio pior do que o esperado pelos analistas.
Segundo o mercado, o resultado foi impactado por fortes nevascas e por uma greve de enfermeiros no mês passado. Ainda assim, o dado reforçou a percepção de enfraquecimento da economia norte-americana.
Com isso, investidores retiraram recursos de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, movimento que ajudou a derrubar o dólar em vários países, inclusive no Brasil.
Em 2026, apesar da alta recente, o dólar ainda acumula queda de 4,51%.
O que observar nos próximos dias
Os próximos pregões devem continuar sendo marcados pela tensão no Oriente Médio, pela oscilação do petróleo e pela repercussão de indicadores da economia dos Estados Unidos. A combinação desses fatores tende a manter o mercado financeiro em alerta.
Fonte: Agência Brasil.