Bolsa brasileira dispara com trégua de Trump e encosta nos 172 mil pontos

Ibovespa tem maior alta em quase 3 anos e dólar fecha no menor valor desde dezembro

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de euforia nesta quarta-feira (21), impulsionado por uma trégua inesperada do presidente dos EUA, Donald Trump, em sua postura externa. O Ibovespa saltou 3,33% e fechou aos 171.817 pontos — maior patamar da história — enquanto o dólar caiu para R$ 5,32, menor valor desde 4 de dezembro.

A disparada foi puxada pela entrada de capital estrangeiro e pelo alívio nas tensões comerciais globais. Trump recuou da retórica sobre tarifas à União Europeia e descartou ações agressivas em disputas geopolíticas. O reflexo foi imediato: investidores correram para ativos de risco, como os brasileiros.

Alta histórica e apetite estrangeiro

Durante o dia, o índice da B3 quebrou várias barreiras e superou pela primeira vez os 167 mil, 170 mil e 171 mil pontos, movimentando R$ 43,3 bilhões — bem acima da média de 2026. No acumulado do ano, o Ibovespa já sobe 6,6%, com fluxo líquido positivo de R$ 7,6 bilhões em capital externo.

No exterior, os mercados também reagiram bem. Em Nova York, o índice S&P 500 subiu mais de 1%, acompanhando o tom mais conciliador de Trump. A notícia injetou confiança nos investidores e ampliou o otimismo nas bolsas emergentes.

Dólar cai e reforça sinal positivo

No câmbio, o dólar comercial caiu 1,1% e fechou em R$ 5,321. A desvalorização se intensificou à tarde, após o presidente dos EUA recuar de mais uma ameaça tarifária. A divisa acumula queda de 3,06% em 2026.

Outro fator que ajudou a derrubar o dólar foi a queda nos juros dos títulos do Tesouro americano. Com menor atratividade nos EUA, investidores buscam melhores retornos em mercados como o brasileiro, o que aumenta a oferta de dólares por aqui.

Entradas bilionárias e estabilidade local

Segundo o Banco Central, o Brasil registrou entrada líquida de US$ 1,54 bilhão até 16 de janeiro, principalmente via mercado financeiro. O fluxo positivo reforça a tendência de valorização dos ativos locais, mesmo com episódios pontuais como a liquidação extrajudicial do Will Bank — que não afetou o humor do mercado.

Cenário segue favorável, mas exige cautela

Analistas destacam que o Brasil está se beneficiando da conjuntura internacional e da busca global por maior rentabilidade. No entanto, alertam que o cenário ainda é volátil e pode mudar rapidamente diante de novas tensões geopolíticas ou decisões de política monetária nos EUA.


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Fonte: Agência Brasil