Chikungunya preocupa após 10 anos no Brasil: surtos e vacina sob alerta

Especialistas apontam avanço da doença e riscos com imunizante suspenso nos EUA

Passada uma década desde os primeiros registros no Brasil, a chikungunya continua sendo motivo de preocupação para médicos e autoridades de saúde. O alerta foi reforçado pela reumatologista Viviane Machicado Cavalcante, presidente da Sociedade Baiana de Reumatologia (Sobare), durante o Congresso Nacional de Reumatologia, em Salvador.

Segundo a especialista, o principal desafio é o controle do vetor — os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A falta de saneamento básico e a carência de ambulatórios especializados agravam a situação, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), até agosto deste ano foram registrados mais de 212 mil casos suspeitos de chikungunya nas Américas, sendo 97% concentrados na América do Sul. O Brasil sozinho contabiliza 121.803 casos e 113 mortes em 2025, conforme o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde.

Viviane Cavalcante lembra que o Nordeste foi o epicentro inicial da doença, mas hoje o vírus está disseminado em todo o país, com sete ondas epidêmicas já registradas. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul lideraram os casos mais recentes.

Vacina sob questionamento

Uma possível solução chegou a ser celebrada: a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. O imunizante, aprovado pela Anvisa em abril para maiores de 18 anos, é composto por uma versão atenuada do vírus.

No entanto, a decisão da agência norte-americana FDA de suspender a licença do produto após relatos de efeitos adversos graves — como encefalite idiopática, hospitalizações e até mortes — coloca em dúvida a continuidade da aplicação no Brasil. A Anvisa pode reavaliar sua posição diante dos novos dados.

Sintomas e prevenção

A chikungunya provoca febre alta, dor de cabeça, manchas na pele e, sobretudo, dores intensas nas articulações, que podem se tornar crônicas. A prevenção continua sendo a medida mais eficaz, com eliminação de criadouros do mosquito em recipientes com água parada, como pneus, garrafas e vasos de plantas.

Especialistas reforçam que a presença simultânea da chikungunya com outras arboviroses, como dengue e zika, aumenta o risco de surtos mais graves e maior número de mortes, especialmente em populações vulneráveis.

Você acredita que a vacina será a saída ou o combate ao mosquito ainda é a única solução eficaz? Comente e compartilhe sua opinião.

Fonte: Agência Brasil / Ministério da Saúde / Opas