Governo reforça combate à coqueluche na TI Yanomami

Equipe emergencial chega a Surucucu após 8 casos e 3 mortes entre crianças; vacinação é a principal prevenção

O Ministério da Saúde enviou uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima, diante do aumento de infecções por coqueluche em crianças. Até agora, foram confirmados oito casos e três mortes na região.

A iniciativa foi divulgada na quarta-feira (18/02/2026) e ocorre após a chegada do grupo à área na segunda (16/02/2026). A ação reúne profissionais com experiência em vigilância e contenção de surtos, em apoio ao trabalho que já vinha sendo realizado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami.

Reforço emergencial em Surucucu

Segundo o Ministério, a força-tarefa atua em conjunto com o Dsei Yanomami, que já fazia coletas de material, investigação de suspeitas e atividades de prevenção em aldeias próximas. Ao todo, 50 profissionais foram mobilizados para ampliar a assistência e reduzir o risco de novos casos.

As crianças infectadas estão em tratamento em hospitais de Boa Vista. Duas delas já tiveram alta e retornaram às aldeias, enquanto os demais casos suspeitos seguem sob investigação e acompanhamento.

O que é coqueluche e quais são os sintomas

A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana e contagiosa. Os primeiros sinais costumam incluir crises de tosse seca, que podem se intensificar ao longo dos dias, especialmente em crianças pequenas.

Vacinação é a principal forma de prevenção

A principal medida de prevenção é manter a vacinação em dia. No Brasil, o imunizante contra a coqueluche é oferecido gratuitamente pelo SUS para crianças (até 7 anos) e gestantes em Unidades Básicas de Saúde. O Dsei Yanomami informou que a cobertura do esquema vacinal completo aumentou entre 2022 e 2025, com avanço também entre menores de 5 anos.

Para contexto sobre a doença e a importância da vacinação em períodos de alta de casos, veja a cobertura da Folha sobre o tema no Paraná.

Crise sanitária e desafios na TI Yanomami

Em 2023, o Governo Federal decretou emergência na TI Yanomami devido a problemas como desnutrição, malária e mortes por diferentes causas, em um cenário associado ao garimpo ilegal. Desde então, foram anunciadas ações de saúde, segurança e infraestrutura, incluindo reforço de equipes, controle do espaço aéreo, medidas ambientais e ampliação de serviços.

Dados do Ministério da Saúde citados no balanço de 2025 indicam queda de 27,6% na mortalidade após a decretação da emergência, embora lideranças indígenas apontem que ainda há desafios importantes a superar.

Fonte: Agência Brasil