Câncer de pâncreas é o 7º mais mortal entre as mulheres, alerta SBCO

Doença silenciosa dificulta diagnóstico precoce; especialistas reforçam a importância da prevenção e atenção aos fatores de risco

O câncer de pâncreas é o 11º tipo mais comum entre as mulheres, mas ocupa a 7ª posição em taxa de mortalidade mundial, com 219 mil óbitos anuais, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) com dados da Globocan 2022 (IARC/OMS). A maior parte dos diagnósticos ocorre a partir dos 65 anos, o que reflete o impacto do envelhecimento da população na incidência da doença.

O caso da atriz Lúcia Alves, falecida aos 76 anos enquanto tratava um câncer de pâncreas, reforçou a atenção para esse tipo de tumor, que registra 241 mil novos casos anuais entre mulheres no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 5.690 novos casos em 2025, sendo a 9ª neoplasia mais frequente no público feminino.

O principal desafio no combate ao câncer pancreático é o diagnóstico precoce. A ausência de sintomas específicos nas fases iniciais e a inexistência de exames de rastreamento eficazes dificultam a identificação da doença. Fadiga, perda de peso, dor abdominal, icterícia, náuseas e dores nas costas são alguns sinais que podem surgir, mas geralmente em estágios mais avançados.

Fatores como tabagismo, obesidade e histórico familiar elevam o risco de desenvolver a doença. O surgimento inesperado de diabetes em idade avançada também é um alerta, devendo ser investigado. “Exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética são importantes para o diagnóstico em grupos de alto risco”, orienta o presidente da SBCO, Rodrigo Nascimento Pinheiro.

Adotar hábitos saudáveis é essencial para a prevenção. A prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada e acompanhamento médico, especialmente para quem tem histórico familiar, são medidas recomendadas. Segundo o SEER Program do NCI (EUA), a taxa de sobrevida em cinco anos pode chegar a 44% quando a doença é descoberta precocemente.

Tratamento depende do estágio da doença

O tratamento do câncer de pâncreas varia conforme o estágio e a saúde do paciente. A cirurgia é a abordagem mais indicada em casos iniciais, com potencial curativo em cerca de 20% dos diagnósticos. Em fases mais avançadas, procedimentos paliativos visam aliviar sintomas e prevenir complicações. Quimioterapia e radioterapia também são opções terapêuticas que auxiliam no controle da doença.

Fundada em 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é referência na formação e capacitação de especialistas em cirurgia oncológica, promovendo ações voltadas à prevenção e ao tratamento do câncer no Brasil.


Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Globocan 2022 (IARC/OMS), Instituto Nacional de Câncer (INCA), National Cancer Institute (NCI/EUA).