Inflação sobe para 4,31% em 2026 e mercado revê PIB para 1,85%

Boletim Focus mostra alta na projeção do IPCA e leve ajuste na expectativa de crescimento da economia brasileira neste ano.

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil subiu novamente e chegou a 4,31% em 2026. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (30) no Boletim Focus, publicação semanal do Banco Central com estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.

A nova projeção representa a terceira alta seguida para o IPCA, índice usado como referência oficial da inflação no país. Mesmo com o avanço, a estimativa ainda permanece dentro do intervalo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Inflação segue pressionada

O movimento de alta nas projeções ocorre em meio ao cenário de incerteza internacional, especialmente por causa das tensões no Oriente Médio. Esse ambiente tem aumentado a cautela do mercado em relação ao comportamento dos preços nos próximos meses.

Em fevereiro, a inflação oficial ficou em 0,7%, puxada principalmente pelos grupos de transportes e educação. Apesar disso, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para os próximos anos, o mercado também ajustou parte das estimativas. A projeção da inflação para 2027 subiu de 3,8% para 3,84%, enquanto para 2028 e 2029 as previsões ficaram em 3,57% e 3,5%, respectivamente.

Selic segue no radar do mercado

A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,75% ao ano. Na reunião mais recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime.

Antes da piora no cenário externo, parte do mercado esperava um corte maior, de 0,5 ponto percentual. No entanto, a escalada das tensões envolvendo o Irã aumentou a percepção de risco e levou o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.

O mercado manteve em 12,5% a previsão para a Selic no fim de 2026. Para 2027, a expectativa é de queda para 10,5% ao ano. Em 2028, a taxa pode recuar para 10%, e em 2029, para 9,75%.

Como a Selic afeta a economia

Quando o Banco Central eleva a Selic, o objetivo é frear a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e ajudam a conter a pressão sobre os preços.

Por outro lado, quando a Selic cai, a tendência é de estímulo à atividade econômica. Com crédito mais barato, empresas e consumidores ganham mais espaço para investir e consumir, embora isso também possa reduzir o controle sobre a inflação.

Mercado melhora levemente projeção do PIB

A expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 teve leve melhora. A projeção do PIB passou de 1,84% para 1,85%, segundo o novo relatório Focus.

Para 2027, o mercado espera expansão de 1,8%. Já para 2028 e 2029, a previsão é de crescimento de 2% em cada ano.

O desempenho recente da economia também segue no radar. Em 2025, o PIB brasileiro avançou 2,3%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com crescimento em todos os setores e destaque para a agropecuária.

Dólar

No câmbio, a previsão do mercado para o dólar no fim de 2026 foi mantida em R$ 5,40. Para o encerramento de 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana fique em R$ 5,45.

O cenário reforça a atenção dos investidores e do próprio Banco Central sobre os efeitos da economia internacional nos preços, nos juros e no ritmo de crescimento do Brasil.

Fonte: Agência Brasil.