Após mortes e intoxicações, Saúde orienta: beba só produto regularizado e desconfie de “promoção” fora do padrão
Alguns estados entram no Carnaval com fiscalização reforçada e alerta máximo para bebidas adulteradas com metanol, substância extremamente tóxica. O risco é real: em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol ligados ao consumo de álcool, com 25 mortes confirmadas, segundo o Ministério da Saúde.
Em 2026, até 3 de fevereiro, já havia sete casos confirmados e 13 em investigação. A orientação é direta: folião deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida, com rótulo, lacre e selo fiscal.
Por que o metanol é tão perigoso
O metanol não é o “álcool comum” das bebidas (etanol). Quando metabolizado, ele gera substâncias altamente tóxicas que podem causar acidose metabólica grave, afetar o sistema nervoso e comprometer a visão.
De acordo com o patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho (Richet Medicina e Diagnóstico), os sintomas podem ser confundidos com ressaca, o que atrasa o atendimento. Em muitos casos, as queixas aparecem entre 6 e 24 horas após a ingestão, podendo surgir até 48 horas depois.
Estados com casos e ações no Carnaval
A preocupação cresce principalmente em locais que já registraram mortes e surtos recentes.
São Paulo: maior número de ocorrências
São Paulo foi o estado mais atingido. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) confirmou 52 casos, com 12 mortes, além de outras mortes ainda sob investigação.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) coordena ações com as vigilâncias municipais para inspecionar estabelecimentos e ambulantes, com foco na origem e procedência das bebidas vendidas durante a folia.
Pernambuco: alerta para “misturas prontas” e garrafas pet
Pernambuco confirmou oito casos, com cinco óbitos em outubro e novembro de 2025. A SES-PE recomenda evitar destilados de origem duvidosa e não consumir misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados.
A Apevisa prevê ultrapassar 500 inspeções, incluindo bares, camarotes, restaurantes e pontos de comércio ambulante.
Bahia: estoque de antídoto e reforço na fiscalização
A Bahia confirmou nove casos, com três mortes. A Secretaria da Saúde (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou estoques de antídoto para tratamento e tem orientado municípios a intensificar a fiscalização de bebidas destiladas.
Paraná: sala de situação encerrada, mas histórico exige cautela
O Paraná encerrou a Sala de Situação sobre intoxicação por metanol em 24 de novembro de 2025. O estado confirmou seis casos, com três mortes.
Mato Grosso: vigilância intensificada mesmo sem casos recentes
Mato Grosso intensificou ações de vigilância e fiscalização. Foram seis ocorrências confirmadas e quatro mortes entre novembro e dezembro de 2025. A recomendação é evitar bebidas sem rótulo e procurar atendimento ao notar sintomas após consumo de álcool.
Rio de Janeiro: sem casos, mas com laboratório móvel na rua
O Rio de Janeiro não registrou casos nem mortes por metanol em bebidas, mas colocou equipes do Procon e da Defesa do Consumidor nas ruas com um laboratório itinerante capaz de testar, em tempo real, bebidas com suspeita de falsificação.
No último fim de semana citado na reportagem, foram apreendidos cerca de 26 litros de bebidas falsificadas em ações em blocos da zona sul e do centro.
Como se proteger: o que observar antes de beber
A recomendação das secretarias e da vigilância sanitária é priorizar segurança, especialmente em eventos de rua.
- Compre apenas de estabelecimentos regularizados e vendedores credenciados
- Confira rótulo, lacre de segurança e selo fiscal
- Desconfie de preço muito abaixo do mercado
- Evite bebidas sem identificação e “misturas prontas” em recipientes improvisados
- Prefira latas lacradas quando possível
Para mais orientações de consumo seguro no Carnaval, veja também: Saúde e prevenção e Cidades e fiscalização.
Sintomas: sinais que exigem atendimento imediato
Atenção redobrada se os sintomas parecerem fortes “demais” para a quantidade ingerida — esse é um sinal de alerta citado por especialistas.
Até 6 horas após a ingestão
Dor abdominal intensa, sonolência, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão baixa.
Entre 6 e 24 horas
Visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, alteração na percepção de cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave.
Se houver suspeita, procure uma unidade de saúde imediatamente e relate a possibilidade de bebida adulterada. Se possível, leve a embalagem ou uma amostra do que foi consumido.
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Fonte: Agência Brasil