Verão potencializa desidratação e uso de álcool, fatores que favorecem coágulos e arritmias; médico destaca sinais e urgência no socorro
A chegada do verão acende um alerta para a saúde cardiovascular. De acordo com o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema (RJ), os casos de AVC aumentam significativamente nessa época do ano, principalmente devido à desidratação provocada pelo calor excessivo. Só no hospital em que atua, os atendimentos por AVC dobram no verão: cerca de 30 por mês.
Segundo o especialista, o calor favorece a coagulação do sangue, elevando o risco do AVC isquêmico, o tipo mais comum da doença. Além disso, a dilatação dos vasos sanguíneos, causada pelas altas temperaturas, pode levar à queda da pressão arterial e desencadear arritmias cardíacas, outro fator que contribui para a formação de coágulos que podem atingir o cérebro.
Consumo de álcool e descuido com a saúde também elevam os riscos
Durante as férias, é comum que as pessoas relaxem nos cuidados com a saúde, incluindo aumento do consumo de álcool, esquecendo de tomar medicamentos e se expondo mais ao sol. Todos esses fatores estão diretamente relacionados ao aumento do risco de AVC.
O tabagismo também segue sendo uma das principais causas externas do problema. A nicotina reduz a elasticidade dos vasos sanguíneos e contribui para doenças como aneurisma cerebral e entupimento das artérias.
AVC afeta um em cada seis brasileiros
De acordo com Maia, o AVC é hoje a doença neurológica mais frequente no mundo. “Uma em cada seis pessoas terá um AVC na vida. Quando não mata, deixa a pessoa incapaz. É uma doença que atinge toda a família”, explica. Os impactos podem ser devastadores: dificuldade de andar, falar, enxergar ou se alimentar sozinho, dependendo da região do cérebro afetada.
Há prevenção e tratamento – mas o tempo é decisivo
Apesar da gravidade, o médico enfatiza que o AVC pode ser prevenido com estilo de vida saudável, prática regular de exercícios, controle da pressão arterial e abandono do cigarro. E, principalmente, há tratamento, desde que o atendimento seja rápido.
Os sintomas mais comuns de AVC são:
- Paralisia de um lado do corpo (braço, perna ou rosto)
- Dificuldade para falar ou fala enrolada
- Perda súbita da visão
- Tontura extrema ou perda de consciência
Em caso desses sinais, o médico recomenda: “Não espere. Leve a pessoa imediatamente a um hospital.” O tratamento inicial pode incluir medicamentos intravenosos para dissolver o coágulo, dentro de até 4h30 após o início dos sintomas. Em casos mais graves, é possível realizar um procedimento com cateter, que pode ser feito em até 24h, em situações selecionadas.
Fique atento: o AVC é uma emergência médica. A rapidez no socorro pode fazer toda a diferença entre sequelas e recuperação completa.
Fonte: Agência Brasil / Entrevista com Dr. Orlando Maia