Especialista alerta: automação e redução de desperdícios garantem ROI imediato e sustentabilidade no setor
A Inteligência Artificial (IA) já está transformando a saúde suplementar no Brasil — mas não do jeito que o imaginário coletivo espera. Segundo André Machado, CEO da Maida Health, a principal disrupção provocada pela IA não está nas promessas futuristas da medicina automatizada, e sim na eficiência operacional que já acontece nos bastidores do setor.
Enquanto diagnósticos com IA e algoritmos preditivos seguem em estágio de validação clínica e regulatória, o uso inteligente da tecnologia para reduzir custos administrativos, evitar fraudes e automatizar processos tem mostrado resultados concretos e mensuráveis. E é aí, segundo o executivo, que reside a verdadeira revolução de curto prazo.
Despesas em alta e pressão por eficiência
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam que, em apenas um ano, os custos administrativos, comerciais e operacionais saltaram de R$ 62 bilhões para R$ 68,6 bilhões — uma alta superior a 10%. Esse crescimento pressiona operadoras, especialmente diante da necessidade de manter a qualidade da assistência sem repassar o aumento diretamente aos beneficiários.
É nesse contexto que a IA se torna uma ferramenta estratégica de negócios, capaz de automatizar autorizações, análises de contas e tarefas administrativas, liberando profissionais para funções mais estratégicas. Em um case citado por Machado, uma operadora com 500 mil vidas conseguiu automatizar 95,1% dos pedidos médicos, processando mais de 9 milhões de solicitações em seis meses.
Combate às fraudes: impacto direto na margem
Outro ponto crítico é o controle de fraudes, que geraram R$ 34 bilhões em perdas apenas em 2022, de acordo com o Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS). Tecnologias como reconhecimento facial para autenticação de pacientes já estão em uso e mostram resultados concretos na redução de empréstimo de carteirinhas, sem comprometer o acesso ou a qualidade do atendimento.
A disrupção já começou — e é estratégica
Para o CEO da Maida Health, gestores do setor precisam mudar a pergunta estratégica: em vez de questionar quando a IA vai substituir médicos, o foco deve estar em quando processos ineficientes serão substituídos. A revolução já está em curso e, para ele, tratá-la apenas como modernização tecnológica é perder o timing e a vantagem competitiva.
“Eficiência é inevitável. E a IA é a via mais direta para alcançá-la agora”, resume Machado.
Fonte: Artigo de opinião por André Machado – CEO da Maida Health.