Brasil inaugura maior biofábrica do mundo de mosquitos “do bem”

Unidade no Paraná poderá produzir até 100 milhões de ovos por semana para combater dengue, zika e chikungunya

O Brasil deu um passo histórico no combate às arboviroses: foi inaugurada neste sábado (19), no Paraná, a maior biofábrica do mundo de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia — uma aliada na redução da transmissão de dengue, zika e chikungunya. A unidade, chamada Wolbito do Brasil, tem capacidade de produzir 100 milhões de ovos por semana.

Instalada pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), em parceria com o World Mosquito Program (WMP), a biofábrica atenderá inicialmente ao Ministério da Saúde, que é responsável por definir os municípios contemplados com a tecnologia, com base em dados de incidência das doenças.

Tecnologia segura, natural e com resultados promissores

Diferentemente de outras abordagens, o método Wolbachia não utiliza mosquitos transgênicos. As bactérias introduzidas nos Aedes aegypti impedem que os vírus se multipliquem dentro dos insetos, interrompendo o ciclo de transmissão para os humanos. A técnica já é usada com sucesso em países como Austrália, Indonésia e Colômbia, além de 14 cidades brasileiras.

“O Brasil se coloca agora na liderança mundial dessa tecnologia. É um marco para a saúde pública e para a ciência brasileira”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente na cerimônia de inauguração.

Expansão nacional já está em curso

Cidades como Londrina, Foz do Iguaçu, Joinville, Petrolina, Belo Horizonte e Campo Grande já aplicam o método, que em breve será implementado também em Natal (RN), Uberlândia (MG), Presidente Prudente (SP), Blumenau e Balneário Camboriú (SC), entre outras.

Segundo a Wolbito do Brasil, a liberação dos mosquitos nas novas regiões está prevista para o segundo semestre, após ações de comunicação e engajamento com as comunidades locais.

Impacto na saúde e economia

A Fiocruz estima que, para cada R$ 1 investido, o país pode economizar entre R$ 43 e R$ 549 em gastos com internações e medicamentos — uma proporção que reforça o potencial transformador do projeto tanto para a saúde pública quanto para as contas do governo.

Além disso, a iniciativa contribui para a redução da dependência de inseticidas e amplia as ferramentas de combate a doenças que afetam milhões de brasileiros todos os anos.

Leia também:
➡ Dengue volta a crescer em regiões do Brasil — veja como se proteger


Fonte: Agência Brasil